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A América pobre


Publicada em: 30/08/2005

A América Latina carrega uma triste sina: governos opressores, subdesenvolvimento, violência, e, claro, pobreza e mais pobreza. A instabilidade da sua economia dilui cada vez mais os esforços para combater a pobreza na região que, longe de retroceder, vem avançando, segundo dados recentes divulgados pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), que tem sede na capital chilena.

 

No total, 44 % dos quase 500 milhões de latino-americanos vivem hoje abaixo da linha de pobreza, e as perspectivas de futuro não são animadoras, tendo em vista a situação crítica por que passa a economia da Argentina e a incerteza sobre o panorama de países como Brasil, Venezuela e Colômbia. Apesar disso, o Brasil teve avaliação positiva nos esforços para a redução da pobreza. Seguindo um padrão oposto ao do crescimento econômico, a pobreza aumentou na região durante a desaceleração econômica do biênio 1998-99, foi reduzida com a recuperação de 2000 e aumentou novamente com a crise dos últimos anos.

A CEPAL estima que nos últimos cinco anos cerca de 20 milhões de pessoas engrossaram a lista dos que não têm recursos básicos para viver.  A América Latina tinha, no ano passado, 220 milhões de pobres e outros 95 milhões de indigentes. Esses números representam, respectivamente, 43,4% e 18,8% da população total da região. Em 2003, a expectativa é que os pobres sejam 225 milhões, e os indigentes, 100 milhões. Mas o total de pobres em relação aos habitantes diminuiu se a comparação for feita com os índices de 1990. Naquele ano, a população classificada como pobre na América Latina era de 48,3%, enquanto os indigentes somavam 22,5%.

A evolução da carência e do crescimento populacional no Brasil

Pobres no Brasil
Até agora, o resultado mais concreto do programa Fome Zero do governo federal, que pretende acabar com a fome no país, é o enorme esforço estatístico. Usando métodos que consideram as linhas de indigência e pobreza, o IPEA (órgão do Ministério do Planejamento) estimou o total de pobres em 52 milhões, em 1999 - cerca de um terço da população.

Dentre eles, 22,6 milhões eram indigentes, o que corresponde a 150 estádios do Maracanã lotados. O Instituto Ethos, entidade empresarial associada ao Fome Zero, refez as contas e concluiu que 46 milhões de brasileiros vivem com menos de US$ 1 por dia, o que os torna oficialmente miseráveis. Assim, há no Brasil um exército de excluídos: eles são mais de um terço da população (36,9%)! Eles são compostos por famílias pobres, cuja renda é suficiente apenas para comprar a cesta básica de alimentos, e pelos indigentes, aqueles cuja renda não supre nem a compra dos alimentos considerados básicos.

A exclusão na América Latina

Anos perdidos
Estudo divulgado pela própria CEPAL mostrou que os últimos seis anos foram perdidos para a América Latina, já que a expansão das economias não atingiu percentuais suficientes para acompanhar o crescimento populacional. Entre 1997 e 2002, o PIB (Produto Interno Bruto) dos países cresceu em média 1% ao ano, enquanto a população aumentou em 1,5%. No quadro geral dos países, a variação no número de pobres foi menor no Brasil, Chile e México. Os casos mais graves foram vividos pela Argentina e pelo Uruguai, que tiveram as piores crises econômicas no período.

O caso mais preocupante foi o da Argentina. No país, o número de pobres e indigentes duplicou entre 1999 e 2002. No país vizinho, o percentual de pobres em relação à população saltou de 23,7% em 1999 para 45,4% em 2002. O número de indigentes subiu de 6,7% em 1999 para 20,9% no ano passado.

 

Fome
De acordo com a CEPAL, 11% da população latino-americana é subnutrida. As crianças continuam sendo as mais atingidas. A pesquisa da organização mostra que 9% das crianças com menos de cinco anos de idade têm desnutrição aguda, ou seja, estão abaixo do peso. Outros 19,4% sofrem de desnutrição crônica. Isso significa que, além do peso baixo, a fome deixou sequelas que podem comprometer a capacidade de aprendizado e desenvolvimento físico destas crianças.




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