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Histórias do Rock brasileiro - Barão Vermelho e Cazuza


Publicada em: 30/08/2005

Formação original do Barão Vermelho

A banda carioca Barão Vermelho começou como tantas outras: colegas de escola que gostavam de tocar as músicas das bandas que mais admiravam, do jeito que fosse possível, para a infelicidade dos vizinhos. Depois de começar tocando covers de Rolling Stones e Led Zeppelin para se divertir, os amigos Maurício Barros (teclado) e Flávio Augusto (bateria) resolveram levar o negócio a sério e foram atrás de outros músicos para completar a banda. Encontraram Roberto Frejat para assumir a guitarra e André Cunha para se responsabilizar pelo baixo.

O vocalista apareceu depois, mas deu um novo rumo ao grupo.

Agenor Miranda Araújo, que se tornaria conhecido pelo seu apelido de infância, "Cazuza", tinha em torno de 23 anos e foi parar no meio de uma banda em que os outros membros tinham entre 17 e 19 anos. Além disso, era filho de um diretor da gravadora Som Livre e cresceu em contato com o meio artistico. Mas principalmente, trouxe um pouco de MPB para misturar com o rock'n'roll do Barão.

Em 1981, o Barão Vermelho apareceu para valer em um show ao ar livre patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. O show começava no final da tarde, mas a organização era tão precária que o palco não contava com iluminação. O jeito foi improvisar com os faróis de alguns carros do público. Depois de tocar em vários espaços para shows, conseguiram formar um público cativo no Rio. O primeiro disco, Barão Vermelho, foi gravado em 1982, mas não chegou a dar projeção para a banda. Mais um disco e várias declarações favoráveis de artistas renomados como Caetano Veloso foram necessários para que a banda ganhasse destaque nacional.

Em 1984 o Barão Vermelho gravava a música-tema do filme Bete Balanço, que contava a história de uma roqueira buscando o seu espaço. O filme fazia ficção com a realidade das tantas bandas que apareceram nos anos 80 e a música do Barão dava uma ideia do risco e do entusiasmo de quem se aventurava por esse caminho:

Pode seguir a tua estrela / O teu brinquedo de star / Fantasiando em segredo / O ponto aonde quer chegar
/ O teu futuro é duvidoso / Eu vejo grana, eu vejo dor / No paraíso perigoso / Que a palma da tua mão mostrou / Quem vem com tudo não cansa / Bete balança meu amor / Me avise quando for a hora.

No seu auge, o Barão Vermelho se fez presente no Rock in Rio de 1985. Embora o Rock in Rio estivesse muito longe de ser - em termos políticos - como os antigos festivais da canção, a proposta de uma grande festa nacional e internacional do Rock coincidia com um clima de liberdade e expectativa com o primeiro governo civil depois de tantos anos de ditadura militar.

Cazuza

No mesmo ano Cazuza partiu para a carreira solo de cantor e compositor e levou consigo grande parte das atenções do público e da imprensa. Talvez isso se deva em parte à posição "privilegiada" de Cazuza no meio artístico, mas com certeza o toque mais poético das músicas do Barão era de Cazuza, tanto nas músicas mais românticas como nas de cunho mais político. Essas últimas justamente começaram a se destacar mais na carreira solo e algumas chegaram até a sofrer censura por tocar em temas polêmicos e pelo uso de expressões agressivas ou constrangedoras. Suas letras mostravam uma indignação como os rumos da democracia no Brasil, principalmente com a corrupção escandalosa e com a descoberta que o "milagre econômico" fora para poucos.

Refletindo esse espírito no final dos anos 80, Brasil (1988), se tornou bastante conhecida também como música tema da novela Vale tudo na versão de Gal Costa, chegando a ser considerada quase um "anti-hino nacional":

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer

(...)

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Já Ideologia (1988) além de mostrar uma decepção com aqueles que eram ou se diziam engajados e que acabaram aderindo ao individualismo da década dos yuppies mostrava também que as opções ideologias para se acreditar pareciam esgotadas:

Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"


Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver

(...)

Consulte os sites do Barão Vermelho e Cazuza para conhecer mais da história e das músicas.

Tendo contraído AIDS, Cazuza assumiu publicamente a doença e viveu seus últimos anos em um ritmo intenso de  gravações. Tanto que o seu último disco Burguesia (1989) foi produzido no limite das suas condições físicas. Cazuza teve que gravar algumas faixas em uma maca instalada no estúdio.

Os seus últimos trabalhos como O tempo não pára (1989) mostram um grande esforço para tentar passar as suas ideias e fazer um balanço da sua vida de artista. Um símbolo da década de 80, Cazuza faleceu em 7 de julho de 1990.

Para quem quer conhecer mais a vida desse ídolo do rock nacional, vale a pena conferir o filme Cazuza - O Tempo não para, atualmente em cartaz nos cinemas do país.




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