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A disputa pelo Polo Sul


Publicada em: 01/07/2008

Nos dias de hoje chegar ao Pólo Sul não é mais uma grande aventura, com trenós motorizados, modernos aviões e helicópteros chegar a um dos pontos extremos do planeta se tornou uma viagem corriqueira (mesmo que ainda apresente riscos) para cientistas, militares, e outras pessoas interessadas nesse lugar. No entanto, nem sempre foi assim, até o início do século XX nenhum homem jamais havia pisado no Pólo Sul, e isso instigava muitos exploradores a serem os primeiros a conquistá-lo.

Roald Amundsen, o primeiro homem a alcançar o Pólo Sul

Dentre todos os que tentaram alcançar esse ponto extremo do planeta, dois deles ganharam notoriedade, pois protagonizaram uma das mais emocionantes disputas que temos notícia, sendo eles o norueguês Roald Amundsen e o britânico Robert Falcon Scott.

Amundsen desde jovem demonstrava grande aptidão para a exploração polar, sua família era proprietária de navios e, junto com amigos, sempre se aventurava pelas geladas terras escandinavas sobre esquis, permanecendo às vezes vários dias fora de casa, sob fortes nevascas e frio extremo. Ao conhecer os relatos de exploradores contando seus feitos nas regiões mais inóspitas do planeta, decidiu que se tornaria um explorador polar.

Robert Falcon Scott, explorador britânico que alcançou o Pólo Sul mas não resistiu às condições extremas e sucumbiu na Artártida

Já Scott era um oficial da Marinha Britânica e se lançou na exploração polar em busca de fama e de aumentar a fortuna de sua família. Nessa época, a conquista de um ponto notório e desconhecido do planeta, como era o caso do Pólo Sul, era algo extremamente valorizado, pois era uma mostra da superioridade de uma nação sobre as demais. Devemos lembrar que esse era o período neocolonial, marcado por intensa rivalidade entre as nações. Deste modo, a conquista do Pólo Sul por Scott era um empreendimento que também visava enaltecer o poderio britânico no planeta.

Antes de se lançarem à conquista do Pólo Sul, ambos os exploradores viveram experiências nas zonas mais frias do planeta. Amundsen estava na primeira missão que passou um inverno na Antártida, integrando a Expedição Antártica Belga entre os anos de 1897 e 1899, como segundo imediato. Também comandou em 1903 uma expedição que buscava a passagem noroeste entre o oceano Atlântico e Pacífico. Nessa expedição, Amundsen entrou em contato com os esquimós e com esse povo acostumado a viver sob neve e frio intensos aprendeu lições que se mostrariam fundamentais na disputa que travaria anos mais tarde com Scott pela conquista do Pólo Sul.

Já Scott ficou famoso em todo o mundo por comandar a expedição que em 1902 alcançou o até então ponto mais ao sul do planeta, na Antártida, além de ter realizado uma série de explorações de reconhecimento que ajudou a conhecer melhor esse continente ainda obscuro no início do século XX. Mas ao contrário de Amundsen, Scott não costumava tomar nota das lições que os povos nativos poderiam ensinar, além disso, nunca foi fascinado pela literatura de exploração polar publicada até então, como era o caso de seu rival norueguês. Já podemos imaginar quem se deu melhor nessa disputa em um dos pontos extremos do planeta, não?

Em 1910 ambos os exploradores, com suas respectivas equipes, partiram em direção ao Pólo Sul. Foi nesse momento que o aprendizado de Amundsen, adquirido com os esquimós e através dos relatos de exploração polar, se mostraram decisivos para sua vitória. Amundsen aprendeu que não havia método mais eficiente de locomoção na neve do que o trenó puxado por cães. Enquanto Scott acreditava que o melhor método de locomoção no polo era a tração humana e a tração dos trenós por pôneis siberianos.

No entanto, uma questão que Scott não levou em conta em sua viagem era a alimentação dos pôneis, como eles iriam encontrar capim ou outro alimento fresco em uma terra coberta por neve? Além disso, os cascos dos pôneis afundavam com facilidade na neve fofa, dificultando sua locomoção. A tração por pôneis se mostrou um fracasso e muitos desses animais morreram na expedição, e os que restaram tiveram que ser sacrificados, cabendo aos homens puxarem os pesados trenós pela neve. Já os cães de Amundsen se mostraram totalmente aptos à função, treinados para as condições adversas do polo, eles se alimentavam da farta carne de foca e pinguim disponível no local, além de comerem a carne de cães sacrificados no trajeto. Enquanto os britânicos sofriam puxando seus mantimentos pela neve, os noruegueses apenas acompanhavam os trenós puxados pelos cães, ou mesmo iam sobre eles, o que lhes dava muitas vantagens em relação aos seus rivais.

O Pólo Sul, no hostil continente Antártico. Ao fundo podemos ver a Estação Pólo Sul Amundsen-Scott

Além disso, Amundsen teve todo um trabalho de pesquisar as melhores roupas para o frio extremo do lugar, obrigava seus homens a comer vitamina C, para evitar o escorbuto, doença que era o terror das expedições no passado.

No dia 14 de dezembro de 1911 Amundsen e sua equipe atingiram o Pólo Sul, em uma viagem sem grandes dificuldades, voltando em segurança para noticiar o feito para o mundo. Já Scott alcançou o ponto em 17 ou 18 de janeiro de 1912, mais de um mês depois que seu rival Amundsen, e lá mesmo ficou sabendo que havia perdido a disputa, pois o rival norueguês lhe deixara uma carta no local.

Folheto que homenageia Scott e seus homens

Scott e sua equipe não resistiram à volta, e todos sucumbiram à fome e ao frio extremo da Antártida. Além das falhas na organização, uma série de condições climáticas extremas, raramente registradas na Antártida, levou os exploradores britânicos à morte. Os registros dessa aventuram foram resgatados através dos diários encontrados nos corpos desses homens, que se transformaram em heróis na Inglaterra, por sua valentia em enfrentar um ambiente tão hostil como é a Antártida.

Hoje, no Pólo Sul, há uma estação norte-americana de pesquisa chamada Estação Pólo Sul Amundsen-Scott, em homenagem aos dois exploradores que primeiro alcançaram esse ponto extremo do planeta.




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