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A autoimolação para o Budismo e   o Xintoísmo


Publicada em: 06/04/2005

No dia 8 de junho a Folha de S√£o Paulo estampou o seguinte t√≠tulo em seu caderno de not√≠cias sobre o mundo "Atentado mata ao menos seis em Cabul". Na sequência, a mat√©ria nos falava sobre uma onda de atentados suicidas que v√™m ocorrendo no Afeganist√£o, cujo objetivo principal seria atingir as for√ßas americanas que ocupam o pa√≠s depois da derrubada do Taleban, grupo fundamentalista isl√Ęmico que dirigiu o pa√≠s at√© 2001.

Representação de Buda  

Por si só, a matéria já nos interessaria, pois é muito importante estarmos antenados sobre o que acontece no mundo. Tudo pode interferir em nossa vida. Mas nos interessa mais ainda quando percebemos que esse tipo de notícia tem se tornado, há alguns anos, muito comum nos jornais diários. E como o tema é muito importante, é necessário compreendê-lo. Afinal, o que pensar sobre esse ato de autoimolação? Nesta semana, vamos abordar esse tema do ponto de vista de duas religiões orientais, o budismo, religião originária do Nepal, e o xintoísmo, cuja origem é japonesa.

Apesar de ambas as religi√Ķes serem orientais e reprovarem qualquer tipo de atentado √† vida, elas explicam-no de formas diferentes. No entanto, se reprovam a autoimola√ß√£o n√£o condenaram, por sua vez, os seus seguidores quando muitos utilizaram a pr√≥pria vida como armas mort√≠feras, ou como armas de protesto em seus pa√≠ses. Durante a Guerra do Vietn√£, alguns monges budistas se queimaram vivos fazendo uma oferta a Buda e protestando contra a guerra diante de rep√≥rteres e fot√≥grafos. E durante a Segunda Guerra Mundial, muitos seguidores do xinto√≠smo, os camicases, utilizaram seu pr√≥prio corpo como arma de guerra e como oferenda ao Imperador, um emiss√°rio divino. Ambas as atitudes foram sistem√°ticas neste per√≠odo, mas n√£o foram repreendidas pelas religi√Ķes que representavam.

A autoimolação de um budista na capa do CD de uma banda de rock, o Rage Against tha Machine.

Segundo a Monja Coen, em entrevista à Carta Capital, "o primeiro preceito budista é não matar".Isso sugere que se deve fazer qualquer coisa para preservar a vida, a sua e a dos outros. No entanto, os ensinamentos de Buda também falam da entrega da própria vida à religião. O que pode ser interpretado como uma sugestão à autoimolação. Segundo a monja, há escritos que falam sobre isso "nos quais queimar parte do corpo, ou todo o corpo, pode ser entendido como a oferta superior..."

No entanto, Coen comenta que "é preciso saber ler os textos sagrados.

Recomenda-se aos estudiosos do budismo que procurem mestres que possam conduzi-los pela senda correta, para n√£o se perderem, errando na interpreta√ß√£o dos ensinamentos, falhando na pr√°tica e perdendo a pr√≥pria vida. Devemos nos tornar como uma tocha viva" n√£o ateando fogo em nosso corpo, mas vivendo o Dharma, os ensinamentos da Verdade, de maneira que iluminem todas as dire√ß√Ķes. Esse o sentido de ofertar sua vida a Buda e de fazer com que sua vida ilumine todos os seres.' (Carta Capital, 09/04/2003, pp. 42-43)

Um símbolo japonês

O caso do xinto√≠smo √© um pouco diferente do budismo.Se para os budistas a repreens√£o √† autoimola√ß√£o, que tenha como consequência a morte, √©, no limite, uma quest√£o de interpreta√ß√£o dos textos de Buda, para os xinto√≠stas isso n√£o existe. Na verdade, os comentadores do xinto√≠smo t√™m sustentado que sua religi√£o n√£o tem necessidade de leis morais que definam algo, pois os japoneses jamais tiveram necessidade de algo assim. Como seriam uma ra√ßa divina, s√≥ precisariam seguir sua pr√≥pria natureza.

"Segundo Mottoori "saber que n√£o existe caminho a seguir √© conhecer e seguir a via dos deuses." (As religi√Ķes ontem e hoje, Hugo Schlesinger e Humberto Porto, Edi√ß√Ķes Paulinas, S√£o Paulo, 1982.)

Enfim, ambas as religi√Ķes, apesar de n√£o aprovarem a auto imola√ß√£o, abrem possibilidade para que ela se efetive diante de certas justificativas.

Na próxima semana, discutiremos a autoimolação através do ponto de vista dos muçulmanos, cujos fundamentalistas são os homens-bomba de hoje.




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