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O protesto no texto


Publicada em: 15/06/2009

N√£o h√° como negar que a nossa sociedade apresenta muitas desigualdades. Uma parte dela tem os seus direitos garantidos: tem acesso √† sa√ļde, √† educa√ß√£o, √† habita√ß√£o e vive em condi√ß√Ķes dignas. Outra parte, por√©m, vive na sombra, na mis√©ria e n√£o tem acesso aos direitos fundamentais do homem.
Contra essa situação de exclusão, muitos textos são produzidos. Leia a poesia abaixo e repare nas marcas de protesto que ela traz.

 

O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre detritos.

Quando achava alguma coisa,
N√£o examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho n√£o era um c√£o.
N√£o era uma gato,
N√£o era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira - Poesia Completa)

O poema de Manuel Bandeira n√£o deixa d√ļvidas. Ele nos descreve uma pessoa reduzida √† condi√ß√£o de bicho. Ele nos apresenta a fome em estado bruto.
O homem - bicho do poema de Bandeira age como um animal, porque está excluído da cidadania, está faminto e sem dinheiro.
Ao incluir no seu poema uma cena tão perversa da exclusão social, o poeta nos alerta para os absurdos da miséria e faz assim uma crítica aberta às injustiças e desigualdades.
Leia o texto abaixo.

 

A alma da fome

"A fome √© exclus√£o. Da terra, da renda, do desemprego, do sal√°rio, da educa√ß√£o, da economia, da vida e da cidadania. Quando uma pessoa chega a n√£o ter o que comer, √© porque tudo o mais j√° lhe foi negado. √Č uma esp√©cie de cerceamento moderno ou de ex√≠lio. A morte em vida. E ex√≠lio da terra.
A alma da fome é política.
√Č gente que come√ßa o dia buscando o que comer que chega √† noite sem nada. Pode-se imaginar o quadro porque √© o de todo dia para milh√Ķes de seres humanos: a fome da comida e de tudo. A essa altura da vida da humanidade √© incr√≠vel que isso aconte√ßa." (Herbert de Souza - √Čtica e Cidadania)

O texto acima diz, a seu modo, o mesmo que disse o poema de Bandeira. Ele nos revela também um quadro perverso de exclusão "da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania."
Al√©m disso, o texto nos d√° tamb√©m indica√ß√Ķes sobre as causas da fome.
Ao afirmar que "a alma da fome √© pol√≠tica", o texto sugere que a solu√ß√£o do problema da exclus√£o social passa pelas decis√Ķes pol√≠ticas.




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