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Terra gira em torno do Sol


Publicada em: 16/04/2010

Será que estamos vendo o nascer ou o por-do-Sol? Depende de onde é o leste.

Todos os dias o Sol nasce. Podemos vê-lo aparecendo no horizonte de manhã cedinho no lado leste, dá até pra olhar direto para ele. Aí o Sol vai subindo, o dia vai amanhecendo, começa o barulho das pessoas, animais, carros, televisão, rádio. O Sol se mexe muito devagarinho, mas podemos perceber que ele muda de posição. À tarde, o Sol vai se aproximando de novo do horizonte, do lado oeste. O céu fica avermelhado, às vezes aparecem umas cores muito bonitas, e o Sol se põe. Mais um dia se acaba, e chega a noite.

Aprendemos na escola que é a Terra que gira em torno do Sol. Mas por que vemos o Sol girando em torno da Terra? Além do Sol vemos também a Lua, as estrelas, os planetas e os nossos satélites artificiais girando em torno da Terra. Talvez seja muito mais fácil entender o Universo se pensarmos que o Sol e tudo o mais gira em torno da Terra. É isto que observamos quando olhamos para o céu.

Desde os antigos gregos até 500 anos atrás, acreditava-se que a Terra ocupava o centro do Universo, e tudo o mais girava ao seu redor. Mas por que ensinam que é a Terra que gira? Na verdade, dizer que a Terra gira em torno do Sol ou que o Sol gira em torno da Terra só depende da referência que adotamos: quando estamos na superfície da Terra, vemos o Sol passando sobre as nossas cabeças. Se pudéssemos ficar na superfície do Sol, veríamos a Terra e os demais planetas passando no céu também. Mas para que todos tenhamos a mesma linguagem, adotamos o padrão de que o Sol está parado.

Retrato de Nicolau Copérnico: criador da teoria heliocêntrica

Copérnico é considerado o autor da teoria heliocêntrica. Segundo esta teoria é o Sol que está no centro do Universo (helios, em grego, significa Sol). Até então a teoria mais aceita era a geocêntrica, em que a Terra estava fixa no centro do Universo (geos, em grego, significa Terra). Copérnico era um brilhante matemático, e conhecia muito bem as mudanças da posição dos planetas ao longo dos anos (vistas daqui da Terra). Ele percebeu que se pudesse descrever as órbitas dos planetas em torno do Sol e não da Terra, os movimentos seriam mais simples. Da mesma forma, a Terra também seria colocada em volta do Sol, e todas as órbitas seriam aproximadamente circulares (na verdade são elípticas, mas muito próximas de um círculo). Este sistema heliocêntrico tinha esta propriedade de descrever de maneira mais simples as órbitas dos planetas (inclusive da Terra), se o Sol ocupasse o centro do Universo.

Esta teoria era revolucionária demais para a época, e acabou não sendo bem recebida. Mas aos poucos o heliocentrismo foi sendo aceito, e na época de Kepler, Galileu e Newton já era muito conhecido.

Hoje sabemos que não é nem a Terra e nem o Sol que ocupam o centro do Universo. Na verdade, entendemos que o Universo é infinito e, portanto, ele não tem um centro. Mas podemos pensar que a Terra ou o Sol estão parados para poder entendermos o fenômeno do dia, da noite e das estações do ano destas duas maneiras diferentes:

 

Geocentrismo: a Terra fica parada e tudo gira ao seu redor. Conforme o Sol nasce e se põe temos o dia e a noite. Ao longo do ano, o Sol faz um caminho no céu que pode ser mais alto ou mais próximo do horizonte. Quando o caminho que o Sol faz no céu está mais alto, estamos no verão. Quando o caminho está mais perto do horizonte, estamos no inverno. Mas as órbitas dos planetas são bastante complicadas neste sistema.

 

Heliocentrismo: o Sol está parado e tudo gira ao seu redor. Conforme a Terra gira em torno de seu próprio eixo, o dia e a noite vão se intercalando. Este primeiro movimento é chamado de rotação da Terra. Ao longo do ano a Terra gira em torno do Sol, e por causa da inclinação do eixo de rotação da Terra, as estações do ano vão se sucedendo: verão, outono, inverno e primavera. Este segundo movimento é chamado de translação da Terra. As órbitas dos planetas em torno do Sol são elípticas, mas quase circulares.

As duas teorias são equivalentes, e podem ser aplicadas no dia-a-dia. Entretanto, as interpretações para os mesmos fenômenos (dia e noite, e estações do ano) são diferentes.