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Terra gira em torno do Sol


Publicada em: 00/00/0000

Será que estamos vendo o nascer ou o por-do-Sol? Depende de onde é o leste.

Todos os dias o Sol nasce. Podemos v√™-lo aparecendo no horizonte de manh√£ cedinho no lado leste, d√° at√© pra olhar direto para ele. A√≠ o Sol vai subindo, o dia vai amanhecendo, come√ßa o barulho das pessoas, animais, carros, televis√£o, r√°dio. O Sol se mexe muito devagarinho, mas podemos perceber que ele muda de posi√ß√£o. √Ä tarde, o Sol vai se aproximando de novo do horizonte, do lado oeste. O c√©u fica avermelhado, √†s vezes aparecem umas cores muito bonitas, e o Sol se p√Ķe. Mais um dia se acaba, e chega a noite.

Aprendemos na escola que √© a Terra que gira em torno do Sol. Mas por que vemos o Sol girando em torno da Terra? Al√©m do Sol vemos tamb√©m a Lua, as estrelas, os planetas e os nossos sat√©lites artificiais girando em torno da Terra. Talvez seja muito mais f√°cil entender o Universo se pensarmos que o Sol e tudo o mais gira em torno da Terra. √Č isto que observamos quando olhamos para o c√©u.

Desde os antigos gregos até 500 anos atrás, acreditava-se que a Terra ocupava o centro do Universo, e tudo o mais girava ao seu redor. Mas por que ensinam que é a Terra que gira? Na verdade, dizer que a Terra gira em torno do Sol ou que o Sol gira em torno da Terra só depende da referência que adotamos: quando estamos na superfície da Terra, vemos o Sol passando sobre as nossas cabeças. Se pudéssemos ficar na superfície do Sol, veríamos a Terra e os demais planetas passando no céu também. Mas para que todos tenhamos a mesma linguagem, adotamos o padrão de que o Sol está parado.

Retrato de Nicolau Copérnico: criador da teoria heliocêntrica

Copérnico é considerado o autor da teoria heliocêntrica. Segundo esta teoria é o Sol que está no centro do Universo (helios, em grego, significa Sol). Até então a teoria mais aceita era a geocêntrica, em que a Terra estava fixa no centro do Universo (geos, em grego, significa Terra). Copérnico era um brilhante matemático, e conhecia muito bem as mudanças da posição dos planetas ao longo dos anos (vistas daqui da Terra). Ele percebeu que se pudesse descrever as órbitas dos planetas em torno do Sol e não da Terra, os movimentos seriam mais simples. Da mesma forma, a Terra também seria colocada em volta do Sol, e todas as órbitas seriam aproximadamente circulares (na verdade são elípticas, mas muito próximas de um círculo). Este sistema heliocêntrico tinha esta propriedade de descrever de maneira mais simples as órbitas dos planetas (inclusive da Terra), se o Sol ocupasse o centro do Universo.

Esta teoria era revolucionária demais para a época, e acabou não sendo bem recebida. Mas aos poucos o heliocentrismo foi sendo aceito, e na época de Kepler, Galileu e Newton já era muito conhecido.

Hoje sabemos que n√£o √© nem a Terra e nem o Sol que ocupam o centro do Universo. Na verdade, entendemos que o Universo √© infinito e, portanto, ele n√£o tem um centro. Mas podemos pensar que a Terra ou o Sol est√£o parados para poder entendermos o fen√īmeno do dia, da noite e das esta√ß√Ķes do ano destas duas maneiras diferentes:

 

Geocentrismo: a Terra fica parada e tudo gira ao seu redor. Conforme o Sol nasce e se p√Ķe temos o dia e a noite. Ao longo do ano, o Sol faz um caminho no c√©u que pode ser mais alto ou mais pr√≥ximo do horizonte. Quando o caminho que o Sol faz no c√©u est√° mais alto, estamos no ver√£o. Quando o caminho est√° mais perto do horizonte, estamos no inverno. Mas as √≥rbitas dos planetas s√£o bastante complicadas neste sistema.

 

Heliocentrismo: o Sol est√° parado e tudo gira ao seu redor. Conforme a Terra gira em torno de seu pr√≥prio eixo, o dia e a noite v√£o se intercalando. Este primeiro movimento √© chamado de rota√ß√£o da Terra. Ao longo do ano a Terra gira em torno do Sol, e por causa da inclina√ß√£o do eixo de rota√ß√£o da Terra, as esta√ß√Ķes do ano v√£o se sucedendo: ver√£o, outono, inverno e primavera. Este segundo movimento √© chamado de transla√ß√£o da Terra. As √≥rbitas dos planetas em torno do Sol s√£o el√≠pticas, mas quase circulares.

As duas teorias s√£o equivalentes, e podem ser aplicadas no dia-a-dia. Entretanto, as interpreta√ß√Ķes para os mesmos fen√īmenos (dia e noite, e esta√ß√Ķes do ano) s√£o diferentes.