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√Ālcool ou gasolina?


Publicada em: 30/08/2005

Por volta de 1985, esta pergunta era frequente nos postos de gasolina. Naquela época, 96% dos carros saíam da fábrica com motor movido a álcool, que era um combustível alternativo e mais barato do que a gasolina. Dessa maneira, os motoristas brasileiros usufruíam o sucesso do Proálcool, criado em 1975.

 

No final dos anos 80, começou o declínio do Proálcool, e dois fatores contribuíram para isso: a diminuição do preço do petróleo em nível internacional e o fim dos subsídios dados pelo governo a fim de manter o preço do álcool menor do que o da gasolina. Com o petróleo mais barato, o preço da gasolina diminuiu chegando muito próximo ao preço do álcool e com a extinção dos subsídios do governo, houve a elevação do preço do álcool, nivelando-o ao da gasolina. Em função disso, a compra de carro a álcool diminuiu e os fabricantes deixaram de produzi-los em larga escala. Hoje, apenas 1% dos carros que saem das fábricas são movidos a álcool.

Essa hist√≥ria est√° para mudar. O governo, os empres√°rios do setor sucroalcooleiro e os fabricantes de carro est√£o discutindo a reativa√ß√£o do Pro√°lcool. O que anima essa discuss√£o s√£o duas inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas: o aproveitamento do baga√ßo da cana-de-a√ß√ļcar para produzir √°lcool e a possibilidade da fabrica√ß√£o de motores que funcionem tanto movidos a √°lcool como a gasolina. Os motores flex√≠veis permitem que o consumidor possa escolher, na hora de abastecer o carro, o combust√≠vel mais barato. Dessa forma, os produtores de √°lcool e os produtores de gasolina se esfor√ßar√£o para oferecer o combust√≠vel mais barato. Quem ganha √© o consumidor!

 

O bagaço da cana-de-açucar, normalmente, é jogado fora ou queimado para aquecer as caldeiras de geração de energia termoelétrica das usinas de álcool e açúcar. Agora, é possível usar esse bagaço para produzir álcool, o que pode aumentar em até 30% a sua produção no país, sem que seja necessário aumentar o cultivo de cana-de-açúcar. Esse possível aumento corresponde à cerca de 5,4 bilhões de litros de álcool, por ano. A tecnologia que permitirá a transformação do bagaço da cana-de-açúcar em álcool é um segredo industrial, mas sabe-se que ela está baseada no processo de hidrólise.

Esta tecnologia √© in√©dita na ind√ļstria sucroalcooleira mundial, o que coloca o Brasil em vantagem em rela√ß√£o aos outros pa√≠ses, caso ocorra exporta√ß√£o do √°lcool. E essa √© uma possibilidade muito real, pois a demanda por √°lcool est√° crescendo em todo o mundo em fun√ß√£o do crescente aumento do pre√ßo do petr√≥leo e da polui√ß√£o causada por este combust√≠vel, nas grandes cidades. O √°lcool emite 50% menos de di√≥xido de carbono, em rela√ß√£o √† gasolina, sendo, portanto, menos poluente. Atualmente, o Brasil j√° ocupa uma boa posi√ß√£o no setor sucroalcooleiro mundial, sendo o maior produtor de a√ß√ļcar do mundo (domina 33% do mercado), e domina, como nenhum outro pa√≠s, a produ√ß√£o de √°lcool, o que abre a possibilidade do pa√≠s se tornar um grande exportador desse combust√≠vel.

 

Al√©m de melhorar a inser√ß√£o do Brasil no mercado internacional, a reativa√ß√£o do Pro√°lcool pode trazer a diminui√ß√£o do pre√ßo do combust√≠vel brasileiro e contribuir para a resolu√ß√£o do problema da polui√ß√£o do ar nas grandes cidades. A utiliza√ß√£o de biomassa como fonte de energia consta nas recomenda√ß√Ķes da ONU como instrumento para a viabiliza√ß√£o do desenvolvimento sustent√°vel.

 

 

 

 

 

 




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