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Os castrati


Publicada em: 31/01/2011

Castrar meninos para que suas vozes se tornassem melhores para executar certas peças musicais. Uma prática como essa soa como algo horrível e impensável nos dias de hoje, mas, por incrível que pareça, foi muito comum na História, principalmente na Itália, num período que compreende os séculos XVI a XIX. Os castrati (Castrato, no singular) eram, em geral, meninos órfãos ou abandonados por suas famílias, que tinham seus testículos extraídos cirurgicamente, e, depois, eram encaminhados para escolas de música, para, então, desenvolverem-se como cantores.

Farinelli, um dos mais famosos castrati de todos os tempos

Os castrati eram muito apreciados pelos amantes da música, porque sua voz possuía características únicas, não encontradas nem em mulheres, nem em homens que ainda possuíam seus testículos. Isso ocorria porque, ao se retirarem os testículos dos meninos, antes que eles entrassem na puberdade, impedia-se que os hormônios masculinos, principalmente a testosterona por eles excretados atuassem na formação de características masculinas, o que incluía suas vozes. Assim, um castrato, apesar de ter adquirido as capacidades respiratórias e a técnica de um cantor adulto, possuía a voz de um jovem, que, unida a esses anos de estudos, davam-lhe características únicas.

Apesar de haver referência ao uso de castrati em outros períodos da História, principalmente no Império Bizantino, foi na Itália que eles mais se desenvolveram, tornando-se muito admirados em seu tempo, cabendo a eles, muitas vezes, os principais papéis nas óperas italianas. As igrejas foram algumas das principais incentivadoras dessa prática, pois, devido à necessidade de vozes agudas em seus coros, acabavam por arregimentar muitos castrati em suas cerimônias. A própria Basílica de São Pedro, no Vaticano, possuía castrati entre seus cantores.

Alessandro Moreschi, o último castrato

Com o tempo, essa prática foi entrando em declínio, e os castrati foram gradualmente sendo substituídos por mulheres nas peças italianas. Até que a prática foi formalmente proibida, em 1870, na Itália (o último país onde esse costume ainda existia). O último castrato foi Alessandro Moreschi, que morreu em 1922 e cantou durante anos no coro da Capela Sistina, tendo alcançado grande reconhecimento em sua época. Moreschi deixou registradas as peculiaridades vocais de um castrato antes de morrer, que podem ser encontradas facilmente na internet. Assim, caso tenha achado essa história interessante, apesar das inúmeras questões éticas envolvidas, procure na internet e escute por si próprio a voz de um castrato.




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