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F√ļria dos c√©us


Publicada em: 30/08/2005

Imagine uma corrente el√©trica de milh√Ķes de amp√©res chocando-se com o solo a cada 3,2 segundos. Anualmente, 200 pessoas morrem vitimadas por choques cardio-respirat√≥rios, em decorr√™ncia das descargas atmosf√©ricas. N√£o se preocupe, a probabilidade de uma delas cair sobre sua cabe√ßa √© √≠nfima; a menos que voc√™ esteja, em um dia de tempestade, sob uma √°rvore ou em campo aberto.
Desde a mais remota antiguidade os rel√Ęmpagos t√™m fascinado e atemorizado o homem de tal modo, que a sua ocorr√™ncia era atribu√≠da √† ira dos deuses e, portanto, deveria ser aplacada. Assim, oferendas e sacrif√≠cios de animais e at√© de seres humanos, passaram a ser realizados na tentativa de amenizar a f√ļria divina. E observando-se que ap√≥s um breve tempo, a tempestade se dissipava, o m√©todo usado parecia funcionar. Para a mitologia, os raios eram armas provenientes dos deuses. Os gregos acreditavam que Zeus era o poderoso deus das tempestades e interferia na exist√™ncia dos homens, por meio de raios despejados sobre os "errados". Atualmente, as tribos ind√≠genas ainda acreditam que os raios sejam pren√ļncio da f√ļria dos deuses. Os paj√©s ou xam√£s agrupam os integrantes da comunidade para dan√ßas e trabalhos espirituais. O objetivo √© o de apascentar os deuses, com as oferendas e a m√ļsica.

 

Em √©poca mais recente, algumas localidades generalizaram o uso do repicar dos sinos das igrejas para afastar as tempestades, o que parecia funcionar tamb√©m, tendo em vista a breve dura√ß√£o dos temporais. No entanto, tal pr√°tica se revelou bastante perigosa, pois sendo os campan√°rios os pontos mais elevados da regi√£o, muitos sineiros foram atingidos por descargas el√©tricas (altas correntes el√©tricas) no desempenho das suas fun√ß√Ķes. Na Alemanha, num per√≠odo de 33 anos, 368 campan√°rios foram destru√≠dos e 103 sineiros perderam a vida, tendo sido posteriormente, proibida tal pr√°tica.

Em 1.752, o inventor Benjamin Franklin desmistificou todas as histórias e crenças estapafúrdias. O inglês comprovou que as nuvens elétricas contêm e são condutoras de carga e corrente elétrica. Para tanto, fez uso de uma pipa e de um fio metálico. Sabe-se que o "funcionamento" do fenômeno raio é semelhante.
As tempestades formam-se, em geral, durante as épocas mais quentes do ano, quando são altas as temperaturas e a umidade do ar. Nessas ocasiões, o calor originário da radiação solar aquece o solo, que, por sua vez, aquece o ar das camadas mais baixas da atmosfera. O ar aquecido se expande e sobe. E, ao subir, cede calor ao ar das camadas mais altas da atmosfera e esfria. Enquanto esfria, o ar ascendente se condensa, formando pequenas nuvens, chamadas <*link cúmulus-numbos,../gerados/GEO/HOME00000066.asp*> - verticalmente mais extensas, com a face inferior lisa. Elas se formam a cerca de 2 quilômetros de altura do solo e se estendem por até 18 quilômetros acima. Se a umidade do ar for muito grande, essas nuvens crescem e se aglomeram tornando-se cada vez maiores.

 

Esse processo se acentua √† medida que as got√≠culas de √°gua das camadas mais altas da nuvem se congelam. A condensa√ß√£o cede calor ao ambiente e o aquecimento faz a coluna de ar elevar-se ainda mais. As got√≠culas de √°gua tamb√©m se agrupam, aumentando de peso at√© que a coluna de ar n√£o mais as sustente, ocorrendo a precipita√ß√£o. Os pequenos c√ļmulos-nimbos tornam-se assim "nuvens de tempestade". Mas com a tempestade, e principalmente antes dela, surgem os raios e rel√Ęmpagos.

Existem v√°rias hip√≥teses para explicar por que as "nuvens de tempestade" se eletrizam, ou seja, como as part√≠culas de √°gua e gelo que formam as nuvens se eletrizam. Uma das causas da eletriza√ß√£o seria o atrito entre as part√≠culas de √°gua e gelo; outra seria os efeitos resultantes das diferentes condutividades do gelo em diferentes temperaturas, ou ainda o congelamento das got√≠culas de √°gua. √Č prov√°vel que todas sejam verdadeiras, isto √©, que a eletriza√ß√£o das nuvens se deva a v√°rias causas distintas.
√Č certo que as part√≠culas mais leves, ainda sob a forma de vapor de √°gua, que se deslocam para a parte mais alta da nuvem, est√£o carregadas positivamente, enquanto as part√≠culas de gelo, mais pesadas, est√£o carregadas negativamente e deslocam-se para a parte mais baixa das nuvens. Assim, em geral, as "nuvens de tempestade" t√™m carga el√©trica predominantemente positiva na parte superior e predominantemente negativa na parte inferior.

 

Mas quando é que ocorre o raio? Ocorre um raio quando a diferença de potencial elétrico entre a nuvem e a superfície da Terra ou entre duas nuvens é suficiente para ionizar o ar: os átomos do ar perdem alguns de seus elétrons e tem início uma corrente elétrica (descarga).

A parte mais baixa das nuvens induz uma carga positiva na superfície da Terra e, portanto, entre a nuvem e a Terra estabelece-se um campo elétrico. O processo de descarga elétrica ocorre numa sucessão muito rápida, inicia-se com uma descarga elétrica que parte da nuvem até o solo. Essa descarga provoca a ionização do ar ao longo de seu percurso. A região entre a nuvem e o solo passa a funcionar como um condutor. Através desta região condutora produz-se, numa segunda etapa, uma descarga elétrica do solo para a nuvem, denominada descarga principal.

Relâmpagos são descargas elétricas de alta intensidade que ocorrem na atmosfera. A maior parte delas ocorre dentro das nuvens e é vista por nós apenas como clarões. Porém, uma parte delas sai das nuvens e dirige-se para o solo, atingindo-o. A estas descargas damos o nome de raios.

A descarga principal apresenta grande luminosidade e origina corrente elétrica de grande intensidade. Esta descarga elétrica aquece o ar, provocando uma expansão que se propaga em forma de uma onda sonora, originando o trovão.

J√° o rel√Ęmpago (propriamente o clar√£o) √© a fa√≠sca luminosa provocada pela descarga da eletricidade atmosf√©rica. Ao contr√°rio do que muita gente pensa, essa descarga pode ser direcionada entre duas partes de uma mesma nuvem, de uma nuvem para a outra ou de uma nuvem para a Terra. Essa √ļltima √© a mais fatal, pois o raio ocasionado conduz √† Terra uma corrente que varia de poucos milhares at√© 100 mil amp√©res, trazendo um diferencial de potencial da ordem de 100 milh√Ķes de volts, suficiente para matar. O trov√£o nada mais √© que o barulho da corrente el√©trica ao vencer a resist√™ncia el√©trica do ar. Quanto mais prolongado for o intervalo entre o trov√£o e o raio, maior ser√° sua dist√Ęncia de impacto. Quando cai na terra, o raio procura sempre o ch√£o, para descarregar suas cargas - da√≠ a necessidade do fio terra e do p√°ra-raio. Ambos artif√≠cios minimizam a a√ß√£o dos raios nos aparelhos eletroeletr√īnicos e os riscos √† vida do ser humano.

Para a proteção contra os relâmpagos utiliza-se um dispositivo chamado para-raios, que leva a corrente elétrica para a terra, proporcionando proteção às edificações e seus ocupantes. A instalação apropriada requer que os condutores tenham tamanho suficiente, estendam-se sobre todos os pontos elevados do prédio, sejam conectados em um sistema sem ângulos agudos, e bem enterrados no solo, em diferentes pontos.

Perigo do raio
O perigo do raio é cerca de dez vezes maior no campo aberto do que na cidade. Numa rua de cidade, os fios e as estruturas de aço dos edifícios protegem as pessoas como os para-raios. A fim de evitar que o raio o atinja, você deve observar as seguintes regras:
1. Evite o topo dos morros e os espaços abertos, tais como campos; fique longe das árvores isoladas, mastros de bandeira e cercas de arame.
2. Entre numa casa, se poss√≠vel. O teto e as paredes o proteger√£o, especialmente se forem feitos de metal. (Um autom√≥vel ou um √īnibus, com uma estrutura de a√ßo, n√£o apresenta perigo).
3. Instale para-raios na sua casa, sobretudo se estiver localizada em cima de um morro ou num espaço aberto.
4. Em casa, fique longe das janelas abertas, fog√Ķes e lareiras.




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