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ART

Samba de bamba


Publicada em: 07/08/2012

A segunda metade da década de sessenta foi extremamente marcante para a produção musical popular brasileira. O surgimento de grandes movimentos que marcaram a nossa música, como a Bossa Nova e a Jovem Guarda, abriu novos horizontes e novas formas de expressão e identidade da população. Mesmo diante do AI-5 promulgado pela ditadura militar, censurando a expressão, mesmo através da arte, da população, ainda houve espaço para o surgimento do Tropicalismo, movimento estético que tem como característica a retomada da tradição brasileira engajada em uma nova estética atualizada com os ideais vanguardistas daquele momento.


Com toda essa eferverscência cultural, a década de 60 é marcada também pelo distanciamento do samba, nosso ritmo por excelência e tradição ao longo de décadas. O samba foi, desde o período do Império - ainda sobre a alcunha de "maxixe" -, o ritmo que mais representa o modo de vida do brasileiro. Está e esteve presente em todas as camadas sociais. No final da década de 20, já sob a influência e divulgação do rádio, ele foi o elemento essencial da ampliação da estética musical promovida pelo rádio. É pelo samba que o brasileiro cantou seu orgulho, seus problemas, suas tristezas e a sua fossa. Sob a influência do bolero, na década de 40 e 50, o samba desacelereou e, já sob o nome de samba-canção, resolveu cantar seus dissabores e tristezas do amor não correspondido. Com o jazz, virou bossa nova. De certa forma, perdeu a singeleza da expressão brasileira ao cantar de maneira clara e direta seu cotidiano.


Porém, em 1967, surgiu no III Festival da Record um sambista que se tornaria um dos grandes pilares do samba nas próximas décadas: Martinho da Vila. Nascido em Duas Barras (RJ), em 1938, foi auxiliar de químico industrial, sargento do Exército, escrevente e contador, antes de se tornar músico profissional. Iniciou sua carreira lançando sucessos como Casa de Bamba, O Pequeno Burguês e Quem é do Mar Não Enjoa. Em sua vida de sambista, guarda funções como compositor e puxador de samba enredo, além trabalhos com enfoque na cultura negra. É um dos principais representantes da Escola de Samba Vila Isabel, a mesma de Noel Rosa.


Ao completar os seus 74 anos, Martinho da Vila lança um novo CD: 4.5 Atual, com uma releitura dos seus grandes sucessos. Neste cd, além das músicas citadas acima, outros sambas como Samba dos Passarinhos, Pãozinho de Açúcar e Partido Alto de Roda demonstram que o samba, mesmo diante dos modismos e influências, ainda é o bom e velho samba de sempre. Martinho da Vila é um músico para se ouvir sempre. Devagar, devagarinho.

A segunda metade da década de sessenta foi extremamente marcante para a produção musical popular brasileira. O surgimento de grandes movimentos que marcaram a nossa música, como a Bossa Nova e a Jovem Guarda, abriu novos horizontes e novas formas de expressão e identidade da população. Mesmo diante do AI-5 promulgado pela ditadura militar, censurando a expressão, mesmo através da arte, da população, ainda houve espaço para o surgimento do Tropicalismo, movimento estético que tem como característica a retomada da tradição brasileira engajada em uma nova estética atualizada com os ideais vanguardistas daquele momento.


Com toda essa eferverscência cultural, a década de 60 é marcada também pelo distanciamento do samba, nosso ritmo por excelência e tradição ao longo de décadas. O samba foi, desde o período do Império - ainda sobre a alcunha de "maxixe" -, o ritmo que mais representa o modo de vida do brasileiro. Está e esteve presente em todas as camadas sociais. No final da década de 20, já sob a influência e divulgação do rádio, ele foi o elemento essencial da ampliação da estética musical promovida pelo rádio. É pelo samba que o brasileiro cantou seu orgulho, seus problemas, suas tristezas e a sua fossa. Sob a influência do bolero, na década de 40 e 50, o samba desacelereou e, já sob o nome de samba-canção, resolveu cantar seus dissabores e tristezas do amor não correspondido. Com o jazz, virou bossa nova. De certa forma, perdeu a singeleza da expressão brasileira ao cantar de maneira clara e direta seu cotidiano.


Porém, em 1967, surgiu no III Festival da Record um sambista que se tornaria um dos grandes pilares do samba nas próximas décadas: Martinho da Vila. Nascido em Duas Barras (RJ), em 1938, foi auxiliar de químico industrial, sargento do Exército, escrevente e contador, antes de se tornar músico profissional. Iniciou sua carreira lançando sucessos como Casa de Bamba, O Pequeno Burguês e Quem é do Mar Não Enjoa. Em sua vida de sambista, guarda funções como compositor e puxador de samba enredo, além trabalhos com enfoque na cultura negra. É um dos principais representantes da Escola de Samba Vila Isabel, a mesma de Noel Rosa.


Ao completar os seus 74 anos, Martinho da Vila lança um novo CD: 4.5 Atual, com uma releitura dos seus grandes sucessos. Neste cd, além das músicas citadas acima, outros sambas como Samba dos Passarinhos, Pãozinho de Açúcar e Partido Alto de Roda demonstram que o samba, mesmo diante dos modismos e influências, ainda é o bom e velho samba de sempre. Martinho da Vila é um músico para se ouvir sempre. Devagar, devagarinho.




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