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Os tênis de Maria Antonieta


Publicada em: 17/09/2012

Quando se analisa a história da sétima arte e a produção de filmes como “Cleópatra” (1917), “O Encouraçado Potemkin” (1925), “Spartacus” (1960), “Apocalypse Now” (1979), “Titanic” (1997) e “Troia” (2004), dentre inúmeros outros, parece o caso de se concluir que o cinema sempre se atraiu pelos fatos memoráveis da humanidade. Os chamados “filmes de época” pretendem ser recortes parciais e estilisticamente trabalhados do real, elaborados com vistas a recontar o passado com base em textos que tangenciam o ficcional e o não ficcional. Tendo em vista essa frequente promessa de realismo, é curioso analisar o filme americano “Maria Antonieta”, de 2006, dirigido por Sofia Coppola e com Kirsten Dunst no papel principal.

 

Em determinada cena do filme, os espectadores mais atentos devem ter se assustado com a anacrônica presença de um par de tênis dentre os sapatos da rainha francesa. A cena é rápida e transcorre mais ou menos da seguinte maneira: ao percorrer o armário de Maria Antonieta, a câmera mostra um par de tênis - possivelmente da marca Converse All Star - em meio a dezenas de sapatos de época. O problema é que o filme se passa entre 1770 e 1789, mas os tênis só começaram a ser desenvolvidos ao longo do século seguinte. A própria marca Converse, mostrada no filme, surgiu apenas em 1917, época em que o basquete entrou na moda nos Estados Unidos.

 

Apesar de durar, aproximadamente, um segundo, a cena em que os tênis de Maria Antonieta aparecem no filme de Sofia Coppola causou enorme furor entre críticos e cinéfilos. Para muita gente, tratou-se de um inaceitável desrespeito para com o público. Menos ortodoxos, alguns expectadores imaginaram que a presença dos tênis tivesse sido um mero erro de gravação. Para outros, tudo não passara de uma estratégia publicitária chamada de “product placement”, mais conhecida, no Brasil, pela expressão “merchandising”. Também houve quem considerasse que a colocação dos tênis tivesse sido traquinagem da diretora. Nessa linha, a própria Sofia se pronunciou sobre o tema, reconhecendo que “Nós decidimos deixar o tênis em cena, você sabe, só para ter um elemento de brincadeira... É um universo adolescente... e, bem, por diversão... porque eu pude”.

 

Para o bem ou para o mal, o fato é que a película de Coppola conquistou o prêmio Oscar de Melhor Figurino, fato que, talvez, endosse o direito da sétima arte de ser anacrônica. Aos incomodados, os livros de história!

Deliberadamente, a diretora Sofia Coppola deixou um par de tênis aparecer na cena em que Maria Antonieta experimenta uma série de sapatos. O problema é que, na época, ainda não existiam tênis, muito menos os da marca Converse (mais conhecida como "All Star" no Brasil), que só foi criada mais de cem anos depois, quando o basquete começou a se popularizar nos Estados Unidos

Quando se analisa a história da sétima arte e a produção de filmes como “Cleópatra” (1917), “O Encouraçado Potemkin” (1925), “Spartacus” (1960), “Apocalypse Now” (1979), “Titanic” (1997) e “Troia” (2004), dentre inúmeros outros, parece o caso de se concluir que o cinema sempre se atraiu pelos fatos memoráveis da humanidade. Os chamados “filmes de época” pretendem ser recortes parciais e estilisticamente trabalhados do real, elaborados com vistas a recontar o passado com base em textos que tangenciam o ficcional e o não ficcional. Tendo em vista essa frequente promessa de realismo, é curioso analisar o filme americano “Maria Antonieta”, de 2006, dirigido por Sofia Coppola e com Kirsten Dunst no papel principal.

 

Em determinada cena do filme, os espectadores mais atentos devem ter se assustado com a anacrônica presença de um par de tênis dentre os sapatos da rainha francesa. A cena é rápida e transcorre mais ou menos da seguinte maneira: ao percorrer o armário de Maria Antonieta, a câmera mostra um par de tênis - possivelmente da marca Converse All Star - em meio a dezenas de sapatos de época. O problema é que o filme se passa entre 1770 e 1789, mas os tênis só começaram a ser desenvolvidos ao longo do século seguinte. A própria marca Converse, mostrada no filme, surgiu apenas em 1917, época em que o basquete entrou na moda nos Estados Unidos.

 

Apesar de durar, aproximadamente, um segundo, a cena em que os tênis de Maria Antonieta aparecem no filme de Sofia Coppola causou enorme furor entre críticos e cinéfilos. Para muita gente, tratou-se de um inaceitável desrespeito para com o público. Menos ortodoxos, alguns expectadores imaginaram que a presença dos tênis tivesse sido um mero erro de gravação. Para outros, tudo não passara de uma estratégia publicitária chamada de “product placement”, mais conhecida, no Brasil, pela expressão “merchandising”. Também houve quem considerasse que a colocação dos tênis tivesse sido traquinagem da diretora. Nessa linha, a própria Sofia se pronunciou sobre o tema, reconhecendo que “Nós decidimos deixar o tênis em cena, você sabe, só para ter um elemento de brincadeira... É um universo adolescente... e, bem, por diversão... porque eu pude”.

 

Para o bem ou para o mal, o fato é que a película de Coppola conquistou o prêmio Oscar de Melhor Figurino, fato que, talvez, endosse o direito da sétima arte de ser anacrônica. Aos incomodados, os livros de história!




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