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Os caras-pintadas e o ativismo dos jovens


Publicada em: 05/11/2012

Há uma crítica nos tempos atuais sobre a pouca participação dos jovens na política nacional.  Embora as redes sociais na internet, dominadas amplamente por este público, estejam tomadas de diversas causas sociais, discute-se bastante a profundidade desse engajamento, bem como os efeitos reais que elas provocam nas decisões de governos e instituições. A manifestação tradicional, aquela que se mostra nas ruas, parece se encontrar adormecida nas novas gerações. Porém, há não muito tempo, ela se mostrava bastante viva no cenário nacional.

 

No ano de 1990, chegava ao poder no Brasil o primeiro presidente eleito depois de mais de 20 anos de ditadura militar. Fernando Collor de Mello havia vencido as eleições de 1999, sob o título de caçador de marajás, devido às promessas durante a campanha de colocar fim aos privilégios de funcionários do alto escalão governamental. Embora a sua vitória nas urnas sofresse a contestação de diversos segmentos sociais por conta de acusações de manipulação das campanhas por parte da mídia, Collor alcançava o Palácio do Planalto ostentando a imagem de combatente da corrupção e da imoralidade política. Porém, ainda no segundo ano de um governo conturbado, sobretudo devido à adoção de políticas econômicas controversas (tais como a mudança de moeda, criação de impostos e contribuições e o empréstimo compulsório de excedentes da poupança ao governo, medida conhecida popularmente como “confisco”), vieram à tona, em maio de 1992, através de seu irmão Pedro Collor de Mello, acusações de fraudes, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra o presidente e seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC Farias.


Neste momento, a insatisfação com o governo Collor, agravada pelas denúncias de corrupção, fez com que diversos órgãos da sociedade civil, tais como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNBB (Conferências Nacional de Bispos do Brasil) e, principalmente, a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) se unissem para exigir ética na política e a abertura de processo de impeachment contra o presidente do país. Os estudantes começaram a promover uma série de passeatas pelas grandes cidades do país. Nas manifestações, como os jovens pintavam o rosto com as cores da bandeira, o movimento veio a ser batizado de “Os caras-pintadas”. Com o crescimento desse movimento e a ampla cobertura dada pela grande mídia, o Congresso Nacional iniciou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as acusações. Pouco tempo depois, Collor fez um pronunciamento nos canais de comunicação alegando perseguição política e pediu que a população saísse às ruas com as cores do Brasil, em seu apoio. No dia seguinte, porém, o que se via eram estudantes tomando as ruas vestindo roupas negras, no que ficou conhecido como “Domingo negro”, com faixas e gritos de “Fora Collor”, numa inversão daquilo que o presidente pretendia. As passeatas aumentaram: 400 mil pessoas tomaram as ruas de São Paulo; 100 mil as de Recife; 60 mil em Brasília. Em 18 de setembro, cerca de 750 mil pessoas se aglomeraram no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em protesto. No dia 29 do mesmo mês, a Câmara dos Deputados se manifestou favoravelmente ao impeachment, contemplando o anseio dos manifestantes.

 

Fernando Collor de Mello deixou a sede do governo em 29 de dezembro de 1992, cedendo a presidência a seu vice, Itamar Franco. O movimento “caras-pintadas” se desfez na mesma rapidez com que surgira. Porém, os jovens desta época ainda rememoram sua participação num dos episódios mais importantes da história recente do Brasil, que deu mostras de que a insatisfação e a revolta podem provocar mudanças no poder, se notadas.

O caras-pintadas foi um movimento estudantil realizado no decorrer do ano de 1992 e tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo

Há uma crítica nos tempos atuais sobre a pouca participação dos jovens na política nacional.  Embora as redes sociais na internet, dominadas amplamente por este público, estejam tomadas de diversas causas sociais, discute-se bastante a profundidade desse engajamento, bem como os efeitos reais que elas provocam nas decisões de governos e instituições. A manifestação tradicional, aquela que se mostra nas ruas, parece se encontrar adormecida nas novas gerações. Porém, há não muito tempo, ela se mostrava bastante viva no cenário nacional.

 

No ano de 1990, chegava ao poder no Brasil o primeiro presidente eleito depois de mais de 20 anos de ditadura militar. Fernando Collor de Mello havia vencido as eleições de 1999, sob o título de caçador de marajás, devido às promessas durante a campanha de colocar fim aos privilégios de funcionários do alto escalão governamental. Embora a sua vitória nas urnas sofresse a contestação de diversos segmentos sociais por conta de acusações de manipulação das campanhas por parte da mídia, Collor alcançava o Palácio do Planalto ostentando a imagem de combatente da corrupção e da imoralidade política. Porém, ainda no segundo ano de um governo conturbado, sobretudo devido à adoção de políticas econômicas controversas (tais como a mudança de moeda, criação de impostos e contribuições e o empréstimo compulsório de excedentes da poupança ao governo, medida conhecida popularmente como “confisco”), vieram à tona, em maio de 1992, através de seu irmão Pedro Collor de Mello, acusações de fraudes, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra o presidente e seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC Farias.


Fernando Collor de Mello havia vencido as eleições de 1999, sob o título de “caçador de marajás”, devido às promessas durante a campanha de colocar fim aos privilégios de funcionários do alto escalão governamental. Porém, ainda no segundo ano de um governo conturbado, vieram à tona acusações de fraudes, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra o presidente e seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC Farias

Neste momento, a insatisfação com o governo Collor, agravada pelas denúncias de corrupção, fez com que diversos órgãos da sociedade civil, tais como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNBB (Conferências Nacional de Bispos do Brasil) e, principalmente, a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) se unissem para exigir ética na política e a abertura de processo de impeachment contra o presidente do país. Os estudantes começaram a promover uma série de passeatas pelas grandes cidades do país. Nas manifestações, como os jovens pintavam o rosto com as cores da bandeira, o movimento veio a ser batizado de “Os caras-pintadas”. Com o crescimento desse movimento e a ampla cobertura dada pela grande mídia, o Congresso Nacional iniciou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as acusações. Pouco tempo depois, Collor fez um pronunciamento nos canais de comunicação alegando perseguição política e pediu que a população saísse às ruas com as cores do Brasil, em seu apoio. No dia seguinte, porém, o que se via eram estudantes tomando as ruas vestindo roupas negras, no que ficou conhecido como “Domingo negro”, com faixas e gritos de “Fora Collor”, numa inversão daquilo que o presidente pretendia. As passeatas aumentaram: 400 mil pessoas tomaram as ruas de São Paulo; 100 mil as de Recife; 60 mil em Brasília. Em 18 de setembro, cerca de 750 mil pessoas se aglomeraram no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em protesto. No dia 29 do mesmo mês, a Câmara dos Deputados se manifestou favoravelmente ao impeachment, contemplando o anseio dos manifestantes.

 

Fernando Collor de Mello deixou a sede do governo em 29 de dezembro de 1992, cedendo a presidência a seu vice, Itamar Franco. O movimento “caras-pintadas” se desfez na mesma rapidez com que surgira. Porém, os jovens desta época ainda rememoram sua participação num dos episódios mais importantes da história recente do Brasil, que deu mostras de que a insatisfação e a revolta podem provocar mudanças no poder, se notadas.




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