Logo ClickeAprenda
HIS

A criação do Parque Nacional do Xingu


Publicada em: 12/11/2012

Um episódio recente ocorrido no estado do Mato Grosso do Sul reavivou a discussão acerca da demarcação de terras indígenas no território brasileiro. Após receberem uma ordem da justiça local para desocupar a área que ocupavam, os índios da tribo Guarani-Kaiowá divulgaram um apelo, em forma de carta aberta, no qual não apenas revelavam as constantes ameaças e violências sofridas pelo grupo por fazendeiros da região, como também afirmavam que a perda do território representaria a extinção do grupo e que, portanto, lutariam pelo direito àquela terra até a morte. A manifestação repercutiu nas redes sociais e em algumas mídias do país e expôs mais uma vez a condição precária e desrespeitosa enfrentada pelos indígenas que ainda não tiveram o direito à terra e à própria cultura assegurado. Atualmente, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), as terras indígenas ocupam cerca de 12,5 % do território nacional, numa área total de 105 milhões de hectares (equivalente ao território da Bolívia), a maior parte dela concentrada na região do Amazonas. Embora seja uma área considerável, raramente os limites são respeitados. Os índios estão sujeitos constantemente a ameaças externas representadas por fazendeiros, posseiros, madeireirashidrelétricas e até traficantes de drogas. Por isso, a demarcação dessas terras e o asseguramento da posse das mesmas aos indígenas é uma luta constante e, de certa forma, até bastante recente na história brasileira.

 

O primeiro território indígena legalmente reconhecido e demarcado no Brasil foi o Parque Nacional do Xingu, localizado ao norte do estado do Mato Grosso, numa área de 2,8 milhões de hectares, fundado em 1961 pelo presidente Jânio Quadros. O Xingu foi o resultado de anos de lutas políticas protagonizadas pelos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, sertanistas que estabeleceram contato e convivência pacífica com os indígenas até então desconhecidos da região.

 

Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), a Segunda Guerra Mundial representava uma ameaça à soberania territorial de qualquer país. No Brasil, especulava-se que as regiões Norte e Centro-Oeste, com grandes quantidades de terra selvagem e imensos vazios populacionais, poderiam ser alvo de invasões tanto de países vizinhos quanto de imigrantes europeus. A potencial ameaça fez com que o governo iniciasse, em 1938, a política conhecida como “Marcha para o Oeste”, que incentivava expedições e a migração de pessoas para essas regiões onde haveria, por hipótese, grande disponibilidade de terras.


Em 1941, foi iniciada a expedição Roncador-Xingu, que adentraria as regiões atuais dos estados de Mato Grosso, Rondônia e Goiás, no intuito de demarcar o centro do país. Inicialmente comandada por militares, a expedição logo passou a ser liderada pelos irmãos Villas-Boas, que incorporaram no contato com os povos indígenas que habitavam os territórios desbravados, antes vistos como obstáculos, a filosofia do Marechal Cândido Rondon, que dizia “morrer se preciso, matar nunca”. O caráter pacífico introduzido à missão possibilitaria a gradual aceitação daqueles homens brancos às aldeias locais. Os irmãos Villas-Boas conviveram por cerca de 20 anos com os povos indígenas da região do Xingu, garantindo, além da proteção estatal, os cuidados médicos necessários para evitar as doenças decorrentes do contato com o homem branco, preconizando, porém, o mínimo de interferência na cultura local. Após várias ameaças sofridas e com o apoio de personalidades importantes, como o próprio Marechal Rondon, o antropólogo Darcy Ribeiro, o médico Noel Nutels e o vice-presidente do governo Vargas, Café Filho, os irmãos Villas-Boas conseguiriam ver homologada a criação de uma reserva natural para os índios da região. A história dos três irmãos foi recentemente retratada no filme de Cao Hambuguer, Xingu, de 2011.

 

Hoje, o Brasil conta com mais de 500 mil pessoas declaradas indígenas e vivendo em aldeias. Muitas áreas reconhecidas legalmente como território indígena ainda são cobiçadas por diferentes grupos, que representam uma ameaça não apenas à cultura indígena, mas à própria vida do índio, como no recente exemplo contra os Guarani-Kaiowás do Mato Grosso do Sul. O contato pacífico professado pelos Villas-Boas cinquenta anos depois ainda é raridade.

Os Irmãos Villas-Bôas, Orlando (1914-2002), Cláudio (1916-1998) e Leonardo Villas-Bôas (1918-1961), conviveram por cerca de 20 anos com os povos indígenas da região do Xingu, garantindo, além da proteção estatal, os cuidados médicos necessários para evitar as doenças decorrentes do contato com o homem branco, preconizando, porém, o mínimo de interferência na cultura local

Um episódio recente ocorrido no estado do Mato Grosso do Sul reavivou a discussão acerca da demarcação de terras indígenas no território brasileiro. Após receberem uma ordem da justiça local para desocupar a área que ocupavam, os índios da tribo Guarani-Kaiowá divulgaram um apelo, em forma de carta aberta, no qual não apenas revelavam as constantes ameaças e violências sofridas pelo grupo por fazendeiros da região, como também afirmavam que a perda do território representaria a extinção do grupo e que, portanto, lutariam pelo direito àquela terra até a morte. A manifestação repercutiu nas redes sociais e em algumas mídias do país e expôs mais uma vez a condição precária e desrespeitosa enfrentada pelos indígenas que ainda não tiveram o direito à terra e à própria cultura assegurado. Atualmente, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), as terras indígenas ocupam cerca de 12,5 % do território nacional, numa área total de 105 milhões de hectares (equivalente ao território da Bolívia), a maior parte dela concentrada na região do Amazonas. Embora seja uma área considerável, raramente os limites são respeitados. Os índios estão sujeitos constantemente a ameaças externas representadas por fazendeiros, posseiros, madeireirashidrelétricas e até traficantes de drogas. Por isso, a demarcação dessas terras e o asseguramento da posse das mesmas aos indígenas é uma luta constante e, de certa forma, até bastante recente na história brasileira.

 

O primeiro território indígena legalmente reconhecido e demarcado no Brasil foi o Parque Nacional do Xingu, localizado ao norte do estado do Mato Grosso, numa área de 2,8 milhões de hectares, fundado em 1961 pelo presidente Jânio Quadros. O Xingu foi o resultado de anos de lutas políticas protagonizadas pelos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, sertanistas que estabeleceram contato e convivência pacífica com os indígenas até então desconhecidos da região.

 

Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), a Segunda Guerra Mundial representava uma ameaça à soberania territorial de qualquer país. No Brasil, especulava-se que as regiões Norte e Centro-Oeste, com grandes quantidades de terra selvagem e imensos vazios populacionais, poderiam ser alvo de invasões tanto de países vizinhos quanto de imigrantes europeus. A potencial ameaça fez com que o governo iniciasse, em 1938, a política conhecida como “Marcha para o Oeste”, que incentivava expedições e a migração de pessoas para essas regiões onde haveria, por hipótese, grande disponibilidade de terras.


A área do Parque Nacional do Xingu, que conta com mais de 27 mil quilômetros quadrados (aproximadamente 2.800.000 hectares), está situada no norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição entre o planalto Central e a floresta Amazônica

Em 1941, foi iniciada a expedição Roncador-Xingu, que adentraria as regiões atuais dos estados de Mato Grosso, Rondônia e Goiás, no intuito de demarcar o centro do país. Inicialmente comandada por militares, a expedição logo passou a ser liderada pelos irmãos Villas-Boas, que incorporaram no contato com os povos indígenas que habitavam os territórios desbravados, antes vistos como obstáculos, a filosofia do Marechal Cândido Rondon, que dizia “morrer se preciso, matar nunca”. O caráter pacífico introduzido à missão possibilitaria a gradual aceitação daqueles homens brancos às aldeias locais. Os irmãos Villas-Boas conviveram por cerca de 20 anos com os povos indígenas da região do Xingu, garantindo, além da proteção estatal, os cuidados médicos necessários para evitar as doenças decorrentes do contato com o homem branco, preconizando, porém, o mínimo de interferência na cultura local. Após várias ameaças sofridas e com o apoio de personalidades importantes, como o próprio Marechal Rondon, o antropólogo Darcy Ribeiro, o médico Noel Nutels e o vice-presidente do governo Vargas, Café Filho, os irmãos Villas-Boas conseguiriam ver homologada a criação de uma reserva natural para os índios da região. A história dos três irmãos foi recentemente retratada no filme de Cao Hambuguer, Xingu, de 2011.

 

Hoje, o Brasil conta com mais de 500 mil pessoas declaradas indígenas e vivendo em aldeias. Muitas áreas reconhecidas legalmente como território indígena ainda são cobiçadas por diferentes grupos, que representam uma ameaça não apenas à cultura indígena, mas à própria vida do índio, como no recente exemplo contra os Guarani-Kaiowás do Mato Grosso do Sul. O contato pacífico professado pelos Villas-Boas cinquenta anos depois ainda é raridade.




Redes Sociais

Conteúdos Especiais


Powered by CLICKIDEA