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Uma queda na ParalimpĂ­ada


Publicada em: 07/01/2013

A mudança da palavra “paraolimpíada” para “paralimpíada” reflete questões que vão muito além da gramática.


Os Jogos Olímpicos já terminaram, ninguém mais fala disso. As manchetes de jornal e assunto na mídia têm outra pauta esportiva: as Olimpíadas e Copa do Mundo que serão sediadas aqui no Brasil. Junto com os Jogos Olímpicos, vêm também os Jogos Paralímpicos – ou não seria Paraolímpicos?

 

Foi no ano passado, em 2011, que o COI, Comitê Olímpico Internacional, pediu a alteração da palavra. Paraolímpico (e seus derivados, como Paraolimpíada) perdeu a letra “o” e se transformou em Paralímpico. Sabemos que a língua está sempre em movimento, e o português falado no Brasil é um exemplo certo de como a língua muda conforme muda o modo de falar da sociedade. Mas será que uma imposição do Comitê vai conseguir fazer como que as pessoas mudem sua forma de falar? Acima desses fatos está a simples constatação de que a língua é recheada de poder, que não permite que nada lhe escape e que tenta regular ao máximo até as questões da língua.

 

Uma das razões apresentadas para esta mudança seria o fato de que os nomes paraolimpíadas e paraolímpico seriam propriedade (como acontece quando se registram produtos ou domínios na internet) do COI. Por conta disso, cada país deveria mudar sua forma de se referir e ter uma maneira própria. Também foi apresentado como razão para a alteração o fato de que paralimpíada ficaria mais próxima da palavra paralympic, em inglês.


A despeito de ser uma ou outra (ou ainda uma terceira) a verdadeira intenção para mudar a palavra, é importante destacar que esse tipo de mudança jamais seria feito de forma autônoma pela sociedade. Algumas palavras, como você, tiveram suas formas alteradas durante o tempo, por questões de uso dos próprios falantes. Ao contrário disso, a alteração do COI dispõe de forma não natural sobre as alterações da língua. Segundo o Prof. Sírio Possenti, em seu artigo para a revista Língua, a regra é que "A vogal final átona cai quando a forma seguinte começa por vogal".

 

A palavra livro, por exemplo, tem sua vogal final excluída (a vogal cai) na formação da palavra livraria. Da mesma forma, pedra faz o mesmo com pedreira. Ambas vogais finais são átonas. O mesmo não se aplica caso as vogais sejam tônicas, como em poeira (pó + eira) ou cafeeiro (café + eiro).

 

Assim, se a palavra imposta como correta seguisse as regras de formação da nossa gramática, teríamos parolimpíada: para + olimpíada, com a queda da vogal final átona. Você também não acha que esta forma seria mais natural?

Dessa maneira, vislumbramos duas regras na nossa língua: a regra natural que é baseada em regularidades encontradas nos fatos linguísticos e aquelas que são simplesmente impostas.

A mudança da palavra “paraolimpíada” para “paralimpíada” reflete questões que vão muito além da gramática.


Logo dos Jogos Olímpicos que ocorrerão em 2016, no Rio de Janeiro

Os Jogos Olímpicos já terminaram, ninguém mais fala disso. As manchetes de jornal e assunto na mídia têm outra pauta esportiva: as Olimpíadas e Copa do Mundo que serão sediadas aqui no Brasil. Junto com os Jogos Olímpicos, vêm também os Jogos Paralímpicos – ou não seria Paraolímpicos?

 

Foi no ano passado, em 2011, que o COI, Comitê Olímpico Internacional, pediu a alteração da palavra. Paraolímpico (e seus derivados, como Paraolimpíada) perdeu a letra “o” e se transformou em Paralímpico. Sabemos que a língua está sempre em movimento, e o português falado no Brasil é um exemplo certo de como a língua muda conforme muda o modo de falar da sociedade. Mas será que uma imposição do Comitê vai conseguir fazer como que as pessoas mudem sua forma de falar? Acima desses fatos está a simples constatação de que a língua é recheada de poder, que não permite que nada lhe escape e que tenta regular ao máximo até as questões da língua.

 

Uma das razões apresentadas para esta mudança seria o fato de que os nomes paraolimpíadas e paraolímpico seriam propriedade (como acontece quando se registram produtos ou domínios na internet) do COI. Por conta disso, cada país deveria mudar sua forma de se referir e ter uma maneira própria. Também foi apresentado como razão para a alteração o fato de que paralimpíada ficaria mais próxima da palavra paralympic, em inglês.


A despeito de ser uma ou outra (ou ainda uma terceira) a verdadeira intenção para mudar a palavra, é importante destacar que esse tipo de mudança jamais seria feito de forma autônoma pela sociedade. Algumas palavras, como você, tiveram suas formas alteradas durante o tempo, por questões de uso dos próprios falantes. Ao contrário disso, a alteração do COI dispõe de forma não natural sobre as alterações da língua. Segundo o Prof. Sírio Possenti, em seu artigo para a revista Língua, a regra é que "A vogal final átona cai quando a forma seguinte começa por vogal".

 

A palavra livro, por exemplo, tem sua vogal final excluída (a vogal cai) na formação da palavra livraria. Da mesma forma, pedra faz o mesmo com pedreira. Ambas vogais finais são átonas. O mesmo não se aplica caso as vogais sejam tônicas, como em poeira (pó + eira) ou cafeeiro (café + eiro).

 

Assim, se a palavra imposta como correta seguisse as regras de formação da nossa gramática, teríamos parolimpíada: para + olimpíada, com a queda da vogal final átona. Você também não acha que esta forma seria mais natural?

Dessa maneira, vislumbramos duas regras na nossa língua: a regra natural que é baseada em regularidades encontradas nos fatos linguísticos e aquelas que são simplesmente impostas.




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