Logo ClickeAprenda
HIS

A Copa Africana de Nações e a história do continente


Publicada em: 13/02/2013

Para muita gente, o primeiro contato com os povos africanos acontece por meio do futebol, às vezes pela televisão e pela internet, às vezes pelos videogames. É assim que diversas crianças e adolescentes são apresentados a nomes como o do camaronense Samuel Eto'o, do marfinense Didier Drogba, do ganês Michael Essien, do togolês Emmanuel Adebayor e do nigeriano Obi Mikel, dentre tantos outros. É, ainda, por meio desses jogadores que diversas pessoas vêm a conhecer a bandeira, a localização e a cultura dos povos de origem dessas estrelas do futebol internacional; nações que, de outro modo, muito provavelmente permaneceriam desconhecidas. Curiosamente, essa parece ser uma velha sina do continente africano: ser conhecido de forma vaga e, frequentemente, preconceituosa pelo restante do mundo. É o que acontece hoje e é o que tem ocorrido há muito tempo.

 

Desde os séculos XV e XVI, quando os europeus intensificaram a expansão marítima, a África, sobretudo a região situada ao sul do deserto do Saara (chamada de “África Subsaariana”) tem sido frequentemente caracterizada, de forma pejorativa, como um território inóspito, dispersamente habitado por povos primitivos e exóticos. Baseada em antigos preconceitos europeus, tal caracterização geralmente ignorou os saberes, as culturas, os costumes e as expressivas diferenças existentes entre esses povos. Pesquisas recentes revelaram que, antes da chegada dos europeus à África Subsaariana, diversos grupos populacionais já haviam se estabelecido na região. Por exemplo, na porção ocidental do continente, entre os séculos VIII e XI, o Império de Gana tornou-se poderoso com o comércio de ouro através do Saara. Muito do que se sabe sobre esse povo foi registrado pelos Islâmicos, que se dirigiam à região em busca de ouro. De acordo com esses registros, os povos de gana viviam com base na agricultura e no comércio. Politicamente, organizavam-se sob a liderança de um rei. Supostamente dotado de um caráter divino, ele era responsável por tomar decisões administrativas, além de concentrar o poder jurídico e militar. Essa organização política centralizada se mantinha, sobretudo, graças à cobrança de impostos sobre o comércio de sal e de ouro.


No século XII, o Império de Gana passou a ser invadido por grupos islâmicos ortodoxos e entrou em declínio, vindo a ser suplantado pelo Império Malinês, fundado no ano 1235 por Sundiata Keita. Sob seu governo, o Império de Mali conquistou novas áreas ricas em ouro e em sal, além de ter expandido o comércio. A sociedade atingiu seu auge no século XIV. Entre 1312 e 1337, o Império foi liderado por Mansa Musa. Ele ampliou o território de Mali e transformou a cidade de Timboku em um rico eixo comercial e centro de desenvolvimento intelectual. No início do século XV, porém, alguns importantes estados de Mali tornaram-se independentes. Mais tarde, o Império perdeu o controle de suas cruciais rotas de comércio, entrando em colapso.

 

Próximo à região da atual Nigéria, organizou-se o Reino de Ifé em meados do ano 700. Entre os séculos IX e XII, o Reino chegou ao seu auge, dominando uma extensa área na porção oeste da África. A capital era a cidade de Ifé, notável por sua produção de cabeças de bronze de alta qualidade artística. Em meados do ano 1400, o Reino de Ifé foi suplantado pelo Império de Benim, que estabeleceu domínio sobre uma região aproximada de 80 mil quilômetros quadrados. O povo de Ifé também foi notável na confecção de esculturas de cabeça de terracota e de bronze. O império se enriqueceu com o comércio: trazendo peixe seco e sal da costa ocidental, tecidos do interior do continente e cobre do litoral do Zaire. Além do comércio, a agricultura também era desenvolvida, sendo, no entanto, muito prejudicada pelo solo pobre da região (de florestas tropicais devastadas). Eram cultivadas espécies como inhame, pimenta malagueta, amendoim, melão, noz-de-cola, feijões, dendê e algodão. O Império de Benin também se destacou no comércio com europeus, especialmente portugueses.


Em parte dos atuais territórios de Angola, Gabão e República Democrática do Congo, desenvolveu-se o Reino do Congo. Fundado no século XIII, o Reino era governado por um monarca e consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango). A chegada dos portugueses à região, em 1483, levou a uma intensa relação comercial entre os dois povos. Em 1491, o Reino foi cristianizado e sua capital, Mbanza Congo, passou a se chamar “San Salvador”. De lá, muitos escravos negros foram trazidos para a América por traficantes portugueses. No século XVII, a soberania portuguesa sobre o Reino do Congo já estava consolidada.


Um dos maiores centros urbanos da África subsaariana, o Grande de Zimbábue, desenvolveu-se a partir do século XI. O centro se situava em uma região estratégica para o controle das rotas comerciais que ligavam o interior do continente à costa leste africana. No Grande Zimbábue desenvolveu-se uma poderosa economia agrícola. Porém, em meados do século XV, a região foi abandonada, provavelmente em consequência do uso abusivo da terra à sua volta.


Esses breves relatos sobre algumas das principais sociedades africanas anteriores à colonização europeia mostram, por si só, como a África constituiu o berço de sociedades complexas, marcadas por organizações políticas sofisticadas, atividades econômicas variadas e ricas identidades culturais. O sucesso dos jogadores africanos no futebol internacional e a realização de eventos como a Copa do Mundo da África, de 2010, e da Copa Africana de Nações, encerrada no último domingo, são verdadeiros convites para que a rica história desse continente seja melhor conhecida e reconhecida.

É por meio de jogadores como o marfinense Drogba que muita gente vem a conhecer a bandeira, a localização e a cultura das nações africanas

Para muita gente, o primeiro contato com os povos africanos acontece por meio do futebol, às vezes pela televisão e pela internet, às vezes pelos videogames. É assim que diversas crianças e adolescentes são apresentados a nomes como o do camaronense Samuel Eto'o, do marfinense Didier Drogba, do ganês Michael Essien, do togolês Emmanuel Adebayor e do nigeriano Obi Mikel, dentre tantos outros. É, ainda, por meio desses jogadores que diversas pessoas vêm a conhecer a bandeira, a localização e a cultura dos povos de origem dessas estrelas do futebol internacional; nações que, de outro modo, muito provavelmente permaneceriam desconhecidas. Curiosamente, essa parece ser uma velha sina do continente africano: ser conhecido de forma vaga e, frequentemente, preconceituosa pelo restante do mundo. É o que acontece hoje e é o que tem ocorrido há muito tempo.

 

Desde os séculos XV e XVI, quando os europeus intensificaram a expansão marítima, a África, sobretudo a região situada ao sul do deserto do Saara (chamada de “África Subsaariana”) tem sido frequentemente caracterizada, de forma pejorativa, como um território inóspito, dispersamente habitado por povos primitivos e exóticos. Baseada em antigos preconceitos europeus, tal caracterização geralmente ignorou os saberes, as culturas, os costumes e as expressivas diferenças existentes entre esses povos. Pesquisas recentes revelaram que, antes da chegada dos europeus à África Subsaariana, diversos grupos populacionais já haviam se estabelecido na região. Por exemplo, na porção ocidental do continente, entre os séculos VIII e XI, o Império de Gana tornou-se poderoso com o comércio de ouro através do Saara. Muito do que se sabe sobre esse povo foi registrado pelos Islâmicos, que se dirigiam à região em busca de ouro. De acordo com esses registros, os povos de gana viviam com base na agricultura e no comércio. Politicamente, organizavam-se sob a liderança de um rei. Supostamente dotado de um caráter divino, ele era responsável por tomar decisões administrativas, além de concentrar o poder jurídico e militar. Essa organização política centralizada se mantinha, sobretudo, graças à cobrança de impostos sobre o comércio de sal e de ouro.


O povo de Ifé  foi notável na confecção de esculturas de cabeça de terracota e de bronze

No século XII, o Império de Gana passou a ser invadido por grupos islâmicos ortodoxos e entrou em declínio, vindo a ser suplantado pelo Império Malinês, fundado no ano 1235 por Sundiata Keita. Sob seu governo, o Império de Mali conquistou novas áreas ricas em ouro e em sal, além de ter expandido o comércio. A sociedade atingiu seu auge no século XIV. Entre 1312 e 1337, o Império foi liderado por Mansa Musa. Ele ampliou o território de Mali e transformou a cidade de Timboku em um rico eixo comercial e centro de desenvolvimento intelectual. No início do século XV, porém, alguns importantes estados de Mali tornaram-se independentes. Mais tarde, o Império perdeu o controle de suas cruciais rotas de comércio, entrando em colapso.

 

Próximo à região da atual Nigéria, organizou-se o Reino de Ifé em meados do ano 700. Entre os séculos IX e XII, o Reino chegou ao seu auge, dominando uma extensa área na porção oeste da África. A capital era a cidade de Ifé, notável por sua produção de cabeças de bronze de alta qualidade artística. Em meados do ano 1400, o Reino de Ifé foi suplantado pelo Império de Benim, que estabeleceu domínio sobre uma região aproximada de 80 mil quilômetros quadrados. O povo de Ifé também foi notável na confecção de esculturas de cabeça de terracota e de bronze. O império se enriqueceu com o comércio: trazendo peixe seco e sal da costa ocidental, tecidos do interior do continente e cobre do litoral do Zaire. Além do comércio, a agricultura também era desenvolvida, sendo, no entanto, muito prejudicada pelo solo pobre da região (de florestas tropicais devastadas). Eram cultivadas espécies como inhame, pimenta malagueta, amendoim, melão, noz-de-cola, feijões, dendê e algodão. O Império de Benin também se destacou no comércio com europeus, especialmente portugueses.


A realização de eventos como a Copa do Mundo da África, de 2010, e da Copa Africana de Nações, encerrada no último domingo, são verdadeiros convites para que a rica história africana seja melhor conhecida e reconhecida

Em parte dos atuais territórios de Angola, Gabão e República Democrática do Congo, desenvolveu-se o Reino do Congo. Fundado no século XIII, o Reino era governado por um monarca e consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango). A chegada dos portugueses à região, em 1483, levou a uma intensa relação comercial entre os dois povos. Em 1491, o Reino foi cristianizado e sua capital, Mbanza Congo, passou a se chamar “San Salvador”. De lá, muitos escravos negros foram trazidos para a América por traficantes portugueses. No século XVII, a soberania portuguesa sobre o Reino do Congo já estava consolidada.


Um dos maiores centros urbanos da África subsaariana, o Grande de Zimbábue, desenvolveu-se a partir do século XI. O centro se situava em uma região estratégica para o controle das rotas comerciais que ligavam o interior do continente à costa leste africana. No Grande Zimbábue desenvolveu-se uma poderosa economia agrícola. Porém, em meados do século XV, a região foi abandonada, provavelmente em consequência do uso abusivo da terra à sua volta.


Esses breves relatos sobre algumas das principais sociedades africanas anteriores à colonização europeia mostram, por si só, como a África constituiu o berço de sociedades complexas, marcadas por organizações políticas sofisticadas, atividades econômicas variadas e ricas identidades culturais. O sucesso dos jogadores africanos no futebol internacional e a realização de eventos como a Copa do Mundo da África, de 2010, e da Copa Africana de Nações, encerrada no último domingo, são verdadeiros convites para que a rica história desse continente seja melhor conhecida e reconhecida.




Redes Sociais

Conteúdos Especiais


Powered by CLICKIDEA