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Besouro usa a Via Láctea para se orientar


Publicada em: 15/04/2013

Estudo feito por pesquisadores sugere que o besouro “rola-bosta”, também conhecido como “escaravelho” ou “besouro africano”, é capaz de se guiar pelas estrelas quando não há presença da lua no céu. Esse fato nunca havia sido demonstrado para insetos.

 

 

O trabalho realizado por um grupo internacional de cientistas, envolvendo a Suécia e a África do Sul, traz novos conhecimentos para a zoologia. Trata-se de um artigo publicado em 24 de janeiro de 2013, no periódico internacional Current Biology. Antes da invenção da bússola, o homem usava as estrelas para se orientar. Cientistas já tinham conhecimento de que as focas e os pássaros também apresentam essa capacidade de localização. O que não se sabia até então é que o besouro Scarabeus satyrus, o “rola-bosta”, usava essa estratégia para transportar seu alimento mais rapidamente até o local desejado.

Esse animal, assim como outros pertencentes à mesma família, é amplamente conhecido pela capacidade de encontrar estrume e empurrar esse material, na forma de bolas, para suas casas. O que os pesquisadores não sabiam muito bem é como esses animais conseguiam, usando o menor caminho possível, voltar para suas casas durante as noites em que não havia luar.

 

Esses insetos utilizam o estrume como alimento e forma de atrair a fêmea, já que o desenvolvimento de seus ovos acontece dentro da bola de estrume. Após o nascimento da larva, ela se alimenta do estrume até completar seu desenvolvimento.


Segundo Eric J. Warrant, um dos envolvidos no trabalho, o transporte da bola de estrume deve ser feito em linha reta, encurtando, assim, a distância a ser percorrida, para evitar que outro macho roube seu alimento e objeto de sedução. Mas a grande dúvida dos pesquisadores era como essa orientação acontecia.

 

Para entender como esses animais se orientavam, os pesquisadores construíram uma arena circular com areia, que foi exposta a duas situações: ao ar livre e em um planetário, onde podia controlar as luzes do “céu”. Colocaram o inseto no centro da arena, juntamente com uma bola de estrume. Eles observaram então como que esses animais chegavam até a beirada da arena.

 

Os pesquisadores observaram que os animais chegavam mais rapidamente, ou seja, andavam mais em linha reta, à beirada da arena quando expostos ao luar natural ou sob céu estrelado, quando não havia luar. No caso do planetário, foi observado que eles se saíam melhores quando simulado um céu estrelado do que quando simulado um céu com poucas estrelas.

 

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que esses besouros não utilizam o brilho individual das estrelas para se orientarem, e sim o brilho da Via Láctea. Os cientistas sugerem, ainda, que outros animais também possam ter essa capacidade, como aranhas e outros insetos.

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Scarabeus sp.: empurrando uma bola de estrume

Estudo feito por pesquisadores sugere que o besouro “rola-bosta”, também conhecido como “escaravelho” ou “besouro africano”, é capaz de se guiar pelas estrelas quando não há presença da lua no céu. Esse fato nunca havia sido demonstrado para insetos.

 

 

O trabalho realizado por um grupo internacional de cientistas, envolvendo a Suécia e a África do Sul, traz novos conhecimentos para a zoologia. Trata-se de um artigo publicado em 24 de janeiro de 2013, no periódico internacional Current Biology. Antes da invenção da bússola, o homem usava as estrelas para se orientar. Cientistas já tinham conhecimento de que as focas e os pássaros também apresentam essa capacidade de localização. O que não se sabia até então é que o besouro Scarabeus satyrus, o “rola-bosta”, usava essa estratégia para transportar seu alimento mais rapidamente até o local desejado.

Esse animal, assim como outros pertencentes à mesma família, é amplamente conhecido pela capacidade de encontrar estrume e empurrar esse material, na forma de bolas, para suas casas. O que os pesquisadores não sabiam muito bem é como esses animais conseguiam, usando o menor caminho possível, voltar para suas casas durante as noites em que não havia luar.

 

Esses insetos utilizam o estrume como alimento e forma de atrair a fêmea, já que o desenvolvimento de seus ovos acontece dentro da bola de estrume. Após o nascimento da larva, ela se alimenta do estrume até completar seu desenvolvimento.


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Representação gráfica do deslocamento dos insetos, apresentada no artigo original. À esquerda, podemos observar que os insetos andaram menos para chegarem à borda da arena e, à direita, podemos observar que eles andaram de forma desorientada

Segundo Eric J. Warrant, um dos envolvidos no trabalho, o transporte da bola de estrume deve ser feito em linha reta, encurtando, assim, a distância a ser percorrida, para evitar que outro macho roube seu alimento e objeto de sedução. Mas a grande dúvida dos pesquisadores era como essa orientação acontecia.

 

Para entender como esses animais se orientavam, os pesquisadores construíram uma arena circular com areia, que foi exposta a duas situações: ao ar livre e em um planetário, onde podia controlar as luzes do “céu”. Colocaram o inseto no centro da arena, juntamente com uma bola de estrume. Eles observaram então como que esses animais chegavam até a beirada da arena.

 

Os pesquisadores observaram que os animais chegavam mais rapidamente, ou seja, andavam mais em linha reta, à beirada da arena quando expostos ao luar natural ou sob céu estrelado, quando não havia luar. No caso do planetário, foi observado que eles se saíam melhores quando simulado um céu estrelado do que quando simulado um céu com poucas estrelas.

 

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que esses besouros não utilizam o brilho individual das estrelas para se orientarem, e sim o brilho da Via Láctea. Os cientistas sugerem, ainda, que outros animais também possam ter essa capacidade, como aranhas e outros insetos.