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Ditadura rima com cultura?


Publicada em: 08/09/2014

Mesmo em período de repressão e censura, artistas criaram obras belíssimas, admiradas até os dias de hoje

 

Em 1964, o Brasil viveu o início de um dos períodos mais nebulosos de sua história: o golpe militar, que tirou do governo o presidente João Goulart e implantou uma ditadura militar – um governo autoritário, que suprimia os direitos dos cidadãos e das instituições e veículos de comunicação. Foi um período extremamente complexo, marcado pela perseguição política, por prisões, mortes e desaparecimentos. Os “anos de chumbo”, como foram chamados, só terminaram, definitivamente, com a eleição do presidente Tancredo Neves, em 15 de janeiro de 1985.  


Neste ano de 2014, você deve ter acompanhado notícias, reportagens e entrevistas falando desse importante período de nossa história. Vinte anos depois, é preciso ainda refletir e analisar as sequelas – mas também os bons frutos que a ditadura nos deixou. Vamos explicar melhor: durante esse período de repressão, a censura à liberdade de expressão assombrou muitos, mas também favoreceu o surgimento de verdadeiras joias de nossa cultura, em especial de nossa música popular. Havia um rígido controle das produções – letras de música, livros, peças de teatro eram “vasculhadas” e, muitas vezes, impedidas de serem publicadas ou executadas, caso os censores suspeitassem de qualquer crítica ou ideia contra o regime militar. Mesmo assim, artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Geraldo Vandré deram asas à imaginação e produziram letras capazes de burlar, ou seja, enganar a ditadura e a censura. Essas obras mostram a resistência, o olhar crítico e a vontade de mudar.

Um aspecto que favorecia esses compositores eram os festivais de MPB promovidos pelas principais redes de TV da época, a TV Excelsior e a TV Tupi. Eram grandes eventos que reuniam fãs e até torcidas organizadas, que iam gritar, aplaudir seus artistas favoritos e suas letras incríveis. E, realmente, eram composições memoráveis. Para não cair nas “garras” da censura, os compositores abusavam da imaginação e davam vida a metáforas muito vivas, que escondiam críticas muito duras e certeiras em relação à ditadura.  


Um exemplo interessantíssimo é o da música “Cálice”, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil. Tudo começou quando Gil, numa sexta-feira da Paixão (a sexta-feira santa, que antecede a Páscoa), compôs uns versos e levou para Chico dar uma olhada. Chico adorou a ideia e já fez a conexão com a censura vivida na pele por eles: o “cálice” de Gil poderia ser também o “cale-se” da repressão da ditadura. Trata-se de um belíssimo jogo de palavras que mostra que, embora o regime militar tenha sido terrível, também fez os artistas se superarem e criarem obras de rara beleza e inteligência.

São inúmeras as canções que fizeram sucesso e marcaram esse período e foram herdadas por nós como marcas de um tempo de horror e de repressão. “Para dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, é outro marco. O refrão “Vem, vamos embora/que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ não espera acontecer” mostra bem o sentimento de indignação e urgência: era preciso reagir, ir à luta, fazer acontecer com as próprias mãos.

Assim, vemos que, mesmo num período de tantas atrocidades, a cultura brasileira ganhou: a beleza das letras mostra que nada pode calar mentes inquietas e ocultar a força e a beleza das palavras.  

Mesmo em período de repressão e censura, artistas criaram obras belíssimas, admiradas até os dias de hoje

 

Em 1964, o Brasil viveu o início de um dos períodos mais nebulosos de sua história: o golpe militar, que tirou do governo o presidente João Goulart e implantou uma ditadura militar – um governo autoritário, que suprimia os direitos dos cidadãos e das instituições e veículos de comunicação. Foi um período extremamente complexo, marcado pela perseguição política, por prisões, mortes e desaparecimentos. Os “anos de chumbo”, como foram chamados, só terminaram, definitivamente, com a eleição do presidente Tancredo Neves, em 15 de janeiro de 1985.  


Cenas de movimentos que lembraram, em 2014, os vinte anos da Ditadura Militar no Brasil

Neste ano de 2014, você deve ter acompanhado notícias, reportagens e entrevistas falando desse importante período de nossa história. Vinte anos depois, é preciso ainda refletir e analisar as sequelas – mas também os bons frutos que a ditadura nos deixou. Vamos explicar melhor: durante esse período de repressão, a censura à liberdade de expressão assombrou muitos, mas também favoreceu o surgimento de verdadeiras joias de nossa cultura, em especial de nossa música popular. Havia um rígido controle das produções – letras de música, livros, peças de teatro eram “vasculhadas” e, muitas vezes, impedidas de serem publicadas ou executadas, caso os censores suspeitassem de qualquer crítica ou ideia contra o regime militar. Mesmo assim, artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Geraldo Vandré deram asas à imaginação e produziram letras capazes de burlar, ou seja, enganar a ditadura e a censura. Essas obras mostram a resistência, o olhar crítico e a vontade de mudar.

Um aspecto que favorecia esses compositores eram os festivais de MPB promovidos pelas principais redes de TV da época, a TV Excelsior e a TV Tupi. Eram grandes eventos que reuniam fãs e até torcidas organizadas, que iam gritar, aplaudir seus artistas favoritos e suas letras incríveis. E, realmente, eram composições memoráveis. Para não cair nas “garras” da censura, os compositores abusavam da imaginação e davam vida a metáforas muito vivas, que escondiam críticas muito duras e certeiras em relação à ditadura.  


Um exemplo interessantíssimo é o da música “Cálice”, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil. Tudo começou quando Gil, numa sexta-feira da Paixão (a sexta-feira santa, que antecede a Páscoa), compôs uns versos e levou para Chico dar uma olhada. Chico adorou a ideia e já fez a conexão com a censura vivida na pele por eles: o “cálice” de Gil poderia ser também o “cale-se” da repressão da ditadura. Trata-se de um belíssimo jogo de palavras que mostra que, embora o regime militar tenha sido terrível, também fez os artistas se superarem e criarem obras de rara beleza e inteligência.

São inúmeras as canções que fizeram sucesso e marcaram esse período e foram herdadas por nós como marcas de um tempo de horror e de repressão. “Para dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, é outro marco. O refrão “Vem, vamos embora/que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ não espera acontecer” mostra bem o sentimento de indignação e urgência: era preciso reagir, ir à luta, fazer acontecer com as próprias mãos.

Assim, vemos que, mesmo num período de tantas atrocidades, a cultura brasileira ganhou: a beleza das letras mostra que nada pode calar mentes inquietas e ocultar a força e a beleza das palavras.  




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