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Aniversário do terror


Publicada em: 30/08/2005

A tragédia do 11 de setembro faz mais um aniversário. E é inevitável que nos lembremos de todo aquele horror, cada vez que esta data se aproxima. Porque este é um dia inesquecível, em que ruíram as torres gêmeas do World Trade Center. Muito mais que um prédio, o World Trade Center era, além de um megacomplexo de lojas e escritórios, um símbolo da potência econômica americana e cartão-postal da maior cidade dos Estados unidos. Inaugurado em 1973 nas proximidades de Wall Street, o WTC ajudou a consolidar o sul da ilha de Manhattan como o coração financeiro do mundo. Empresas e bancos como American Express, JP Morgan, Goldman Sachs, Salomon Brothers e a Bolsa de Algodão de Nova York, entre outros, estavam localizados a menos de um quilômetro do local do atentado.

O ataque do segundo avião em 11 de setembro

Para ter ideia da teia que unia as 50000 pessoas que trabalhavam nas 1200 empresas existentes no WTC, por onde passavam 90000 visitantes por dia, e em torno do qual giravam quarteirões e quarteirões de comércio e serviços, vamos imaginar um dia na vida de Said Haque, bengali emigrado há dez anos para os EUA com situação legal, garçom assistente do restaurante que ficava no 106o andar da torre norte.

Ele ganhava cerca de 28800 dólares por ano (os americanos contam os salários por hora ou por ano), incluindo as gorjetas, e ganhava a vida enchendo com água um copo da mesa de Michael Wittenstein, empregado da Cantor Fitzgerald, conhecida companhia financeira que negocia títulos de dívidas.

 

Ele ganhava um salário de 80000 dólares por ano como especialista em investimentos, mas já sonhava com os 300000 dólares anuais que ganharia um dia como top Investment executive. No escritório de Michael também trabalhavam Paul Cortini, nova-iorquino do Brooklyn, ítalo-americano de segunda geração que trabalhava como programador de computadores e ganhava 66.000 dólares por ano, um pouco mais que os 61.000 dólares que sua namorada, Bárbara Hons, ganhava sendo relações públicas de uma empresa menor também localizada no WTC.

Na cozinha do restaurante, o mexicano José Paulino, imigrante ilegal, picava vegetais e auxiliava o cozinheiro, ganhando 300 dólares por semana, o que não somava os 23000 dólares por ano previstos pelo mercado para remunerar esse tipo de trabalho. O amigo de Paulino, Fidencio Gonzáles, também imigrante ilegal do México, trabalhava no turno da madrugada na limpeza do restaurante, ganhava 25000 dólares por ano e estava reclamando da sujeira que restou do aniversário de Olga Sbolovana, a jovem russa que recebia o salário de 30000 dólares por seu trabalho de meio horário, ajudando a organizar a documentação de seguros de cargas de vários navios da empresa de transporte israelense, que também tinha seus escritórios na torre norte.

O salário mínimo americano é de 5,50 dólares por hora.

Michael e seu cliente examinavam documentos que acabaram de chegar em um dos cinco caminhões da empresa postal UPS que passavam pelo complexo todos os dias. O envelope tinha sido entregue por Bob Jackson, negro imigrado criança do Haiti, e que ganhava 20 dólares por hora pelo serviço que fazia, resultando em cerca de 34000 dólares por ano. Antes do encontro, o cliente de Michael acabara de lustrar os sapatos na Minas Shoe Repair, no hall de entrada da torre sul, negócio de um grego que empregava o brasileiro Jamil Prudente, imigrado em 1982 e legalizado na última anistia geral que o governo americano concedeu no começo dos anos 80.

Ele ganhava 2 dólares por par de sapatos lustrados, o que lhe dava fácil 350 dólares por semana, uns 17000 dólares por ano. Do lado de fora do complexo comercial, o salvadorenho Alejandro Moran distribuía cartões de propaganda de vários negócios, inclusive da loja de engraxar sapatos, ganhando 2,40 dólares por hora. Ele migrara há dez anos fugindo da guerra civil. Vivia com sua mãe no bairro de Queens e não era de muitos amigos. Todas estas pessoas tiveram suas vidas irremediavelmente alteradas naquele fatídico 11 de setembro.

Desabamento das torres norte e sul do WTC

O World Trade Center em números

  • Altura: 417 m (torre norte), 415 m (torre sul), quinto mais alto do mundo
  • Andares: 110
  • Empresas: 430 (pelo menos dez brasileiras)
  • Taxa de ocupação: 97%
  • Circulação: 140 000 pessoas por dia
  • Área: 40 000 m2 de lojas e escritórios 
  • Valor: 3,2 bilhões de dólares (valor do arrendamento do complexo por 99 anos)




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