Logo ClickeAprenda
CIE

O Ataque das cigarras


Publicada em: 06/04/2005

Após 17 anos, elas surgem das profundezas da terra para desespero dos habitantes de alguns estados do leste dos Estados Unidos. É a maior invasão já vista no planeta!
 
Se estiver achando que esse é o início de uma amedrontadora história de terror, enganou-se. Não se trata de alienígenas, monstros e nem de espíritos. A invasão é de bilhões de insetos alados, mais precisamente cigarras, extremamente barulhentas.
 
Esse fenômeno faz parte do ciclo de vida desses seres vivos. As fases de vida das cigarras são ovo, ninfa e adulto. Observe a animação abaixo para conhecê-las melhor.

Ciclo de vida das cigarras

Algumas espécies possuem um estágio de ninfa de 17 anos. Depois desse período, as cigarras saem do solo ao mesmo tempo para passar cerca de duas semanas na fase de acasalamento e postura de ovos. São elas que estão nesse momento “invadindo” os estados americanos e enlouquecendo os seus habitantes com o seu canto ensurdecedor!!
 
Por que 17 anos? Por que tanto tempo debaixo do solo?

Esse número é um número primo, da mesma forma que 7, 11 e 13, o número de anos que dura o ciclo de vida de outras espécies de cigarra. Acho que então seria melhor perguntar: porque números primos?
 
Alguns pesquisadores brasileiros, intrigados com esse mistério, foram investigar qual seria a importância dos números primos para essas cigarras e descobriram algo muito interessante. As cigarras que possuíam ciclos de vida com duração igual a números primos, tinham maiores chances de escapar do ataque de predadores e assim sobreviver. No entanto, a estratégia só funcionava se todas as cigarras saíssem do chão ao mesmo tempo.
 
Como será que esses números evitam o confronto dessas cigarras com os seus predadores?

Esses números parecem espalhar-se ao acaso entre os inteiros, sem nenhum padrão aparente.

 

Por exemplo, se analisarmos a sequência 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14 veremos que ela tem continuidade através da soma do número 2 (2 + 2 = 4, 4+2 = 6, etc). Assim, fica fácil prever qual será o próximo número da sequência: basta somar 2 (14 + 2 = 16).
 
Agora se analisarmos a sequência de números primos 2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17 não conseguiremos descobrir nenhum padrão (2 + 1 = 3, mas 3 + 1 NÃO é igual a 5) e assim não é possível prever facilmente qual será o próximo número.

Imagine se os períodos de desenvolvimento dessas cigarras formassem a seguinte sequência: 8, 10, 12 e 14. A cada dois anos algumas espécies de cigarras terminariam o seu desenvolvimento e abandonariam o solo para acasalar. E a cada dois anos os predadores desses insetos teriam a certeza de encontrar uma fartura de alimentos pelo menos durante alguns meses do ano. Seria um desastre para a sobrevivência das cigarras!!
 
Agora imagine se as espécies de cigarras abandonassem o solo para acasalar em intervalos equivalentes aos de uma sequência de números primos. Um grupo de espécies surgiria de 7 em 7 anos, outro de 11 em 11 , outro de 13 em 13, de 17 em 17, e assim por diante. Os predadores dificilmente teriam certeza de quando as cigarras apareceriam. Elas seriam um tipo de alimento pouco frequente e desta forma não fariam parte do cardápio alimentar diário desses predadores.
 
Além do acasalamento em intervalos primos, a duração do estágio de ninfa e o abandono sincrônico do solo por várias espécies de cigarras também interferem nas suas chances de sobrevivência. Quanto maior a duração do estágio de ninfa de um grupo de espécies, maior a sua chance de sobrevivência. Assim, um ciclo de vida de 17 anos é uma estratégia melhor do que um ciclo de vida de 7 anos. O abandono sincrônico do solo por bilhões de cigarras faz com que apenas uma fração delas seja predada, o restante (a maioria) sobrevive porque o predador já está saciado.
 
Quem diria, as cigarras ensinando matemática!! Mais uma solução criativa da natureza para a sobrevivência das espécies. É a comprovação de que temos ainda muito que aprender!!!




Redes Sociais

Conteúdos Especiais


Powered by CLICKIDEA