Logo ClickeAprenda
BIO

Biologia, castores e diques


Publicada em: 30/08/2005

Volta às aulas.

Num dia você enfrenta o sol forte e quente, sob o qual caminha até a escola para chegar suado, com o uniforme empapado entre suas costas e a mochila. Já no dia seguinte – ou quem sabe dali a dois ou três dias, no máximo - sua vitória terá que ser sobre o imenso fluxo de água que invade a cidade: ruas alagadas, barro para todo o lado, casas desabando. E você ali, tentando atravessar o rio (“Ontem eu poderia jurar que aqui havia uma rua, e não um rio...”), com um guarda chuva na mão, rumo à escola.

Então, quando chega para a aula de Biologia, a decepção é tremenda: populações, comunidades. Ecologia.

Legal, legal. Bonitinho. Está até na moda, todo esse papo de desenvolvimento sustentável, tem horário semanal garantido nas maiores emissoras de televisão.

Terra do Fogo

Mas, sinceramente... E eu com isso?

Afinal de contas, já sei que não vou prestar Biologia.

Realmente, algumas vezes é difícil compreender a utilidade de um aprendizado escolar no dia a dia. Muitos assuntos abordados - e muitas vezes a forma como os professores o fazem - nos levam a questionar sua importância.

Habitat? Minha casa, meu bairro. O Shopping Center de sexta à tarde. Algo muito diferente disso não entendo não...

De certo, era algo próximo a isso que pensavam os fueguinos. E olha só que longa história isso rendeu...

Lá pela década de 60, os fueguinos introduziram na ilha que habitam, 25 casais de castores canadenses a fim de explorar sua carne, como alimento, e sua pele. Não muito tempo depois, arrependeram-se do empreendimento: descobriram que seu pelo era de má qualidade para a utilidade que queriam e que a carne dos castores não era saborosa. Então, todo o plano inicial do abate através da caça foi por água abaixo.

Mas muito mais coisa foi por água abaixo, pois ficaram represadas nas castoreiras. Esses animais utilizaram-se de lengas, as árvores mais comuns da região (e que demoram cerca de 300 anos para atingir a maturidade) para realizar sua grande obra! Eles derrubaram essas árvores para represar os rios, desviando cursos d’água e impactando a região.

Hoje, estima-se que a população de castores tenha passado de 50 indivíduos para cerca de 60 mil!!! Imagine a ação de 60 mil desses lindos animaizinhos e o impacto que causam em um ambiente que pouco lhes traz restrições...

Uma castoreira, feita pelos castores com árvores que demoram até 300 anos para atingir a maturidade

Um fator que complica muito a regulação da densidade populacional dos castores, é o fato de não haver predadores em potencial na ilha. Ou seja, a ausência de uma força regulatória contribui para que eles cresçam, reproduzam-se e continuem reproduzindo-se, quase sem limites. Eis o porque de tantos em tão pouco tempo.

Uma das soluções cogitadas foi a introdução de um predador de topo, como grandes felinos. Mas por ser um predador de topo, ele incluiria não somente castores em sua dieta, mas humanos também...

A introdução de espécies exóticas em um ecossistema pode acarretar em muito mais desequilíbrio do que imaginamos...

E agora, você vê a Biologia contextualizada no seu dia a dia?




Redes Sociais

Conteúdos Especiais


Powered by CLICKIDEA